Em tempos de bolhas, algoritmos e polarização, existe um lugar no Brasil onde rico e pobre, preto e branco, doutor e trabalhador se sentam no mesmo banquinho. Sem crachá. Sem sobrenome. Esse lugar se chama roda de samba. E é disso que trata o Jacque Guedes e Cia, grupo liderado pela compositora, produtora e ativista Jaque Guedes, nascida e criada no morro da Mangueira, onde mora até hoje.
A "democracia do samba" ganha corpo nos seis integrantes do grupo, que entrou com tudo na disputa do samba-enredo da Mangueira para 2027 . Seis histórias, seis profissões, seis Brasis.
De um lado, Marcio Juniot, publicitário com mais de 20 anos de carreira entre Brasil e Estados Unidos. Vencedor de Cannes Lions, The One Show, D&AD e Clio. Hoje trabalha em Nova York, mas volta ao Rio para encontrar no samba sua conexão com a raiz.
Do outro, Rodolfo Caruso, 62 anos, mecânico de aeronaves, professor da Faetec e poeta. Autor de 4 livros, fez 100 lives de samba a capela durante a pandemia.
Completando a turma, estão Luiz Fernando, advogado e compositor do movimento Samba na Fonte; Alexandre de Salles, filósofo, pedagogo e aderecista de carnaval, responsável por fantasias e alas no Rio. Temos ainda Juarez Amizade, que foi guardador de carros e é cantor desde os anos 80, com CD lançado e passagens por Portela, Grande Rio e Império Serrano, onde integra a ala de compositores.
E tem a própria Jaque Guedes. Campeã do Canto Afro 2023, educadora há 20 anos, produtora de rodas como a "Rede Carioca das Rodas de Samba", "Gloriosa" e "Black In Verde Rosa". Toca tantã, repique, reco-reco e tamborim.
"O samba me ensinou que a gente não precisa ser igual pra ser irmão. Na roda, ninguém pergunta onde você mora ou quanto você ganha. Pergunta se você sabe sambar", diz Jaque Guedes.
Para o grupo, o samba é resistência, é casa e é encontro. É o espaço de diversidade, de união, onde todos dão as mãos em prol de um som ancestral.
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