A Ceva Saúde Animal, 5ª maior empresa global de saúde animal, apresentou um estudo inédito com atualizações sobre a variabilidade genética e o comportamento dos vírus de Gumboro que circulam nos plantéis brasileiros. Os levantamentos mostram que o vírus no país é muito mais diversificado e mutante do que se imaginava, revelando a presença de variantes inéditas resultantes da mistura genética entre diferentes cepas.
O mapeamento detalhado do agente permitiu entender como essas novas linhagens se comportam no organismo. Os testes demonstraram que, mesmo sem provocar sintomas visíveis de imediato, o vírus causa um dano profundo e prolongado ao sistema de defesa das aves por mais de 11 dias. Esse efeito imunossupressor "desarma" a imunidade dos lotes, abrindo portas para outras infecções e explicando as perdas financeiras enfrentadas pela avicultura.
“As características dos vírus que circulam no campo são um elemento fundamental para entendermos os desafios atuais de controle da doença. Quanto maior o conhecimento sobre esses agentes, mais preparados estaremos para definir estratégias de controle alinhadas à realidade encontrada nos plantéis”, afirmou o médico-veterinário e gerente Nacional de Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal Brasil, Dr. Jorge Chacón.
Estudos mostram comportamento das variantes no campo
O estudo foi apresentado durante o evento de lançamento da vacina Nextmune, realizado na quarta-feira (23), no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ). A nova vacina para a doença de Gumboro surge como uma resposta à evolução da doença, já que dados históricos mostram que a enfermidade, nos anos 2000, chegava a estar associada à mortalidade de 20% a 30% das aves. A evolução das vacinas, do manejo e da biosseguridade contribuiu para reduzir significativamente esse impacto.
Ao mesmo tempo, o vírus continuou evoluindo, criando desafios para as estratégias de controle adotadas no campo. A compreensão desse cenário também conduz a busca por novas soluções envolvendo investimentos contínuos em pesquisa, inovação e engajamento científico para transformar conhecimento em tecnologias aplicáveis à produção.
“A avicultura brasileira evolui em ritmo acelerado e os desafios que a acompanham também. Na Ceva, estar à frente significa investir continuamente em ciência e pesquisa não para acompanhar o mercado, mas para antecipar o que ele vai precisar. A Nextmune é resultado desse compromisso e mais um passo concreto na nossa estratégia de oferecer tecnologia que torna a produção cada vez mais eficiente, segura e preparada para o futuro”, avaliou o vice-presidente da Ceva Saúde Animal Brasil, Nivaldo Grando.
Evolução do vírus exige novas estratégias de controle
A programação no Museu do Amanhã, com diversos especialistas do setor, envolveu temas que atualizaram o que se sabe atualmente sobre a doença e seu comportamento nos plantéis brasileiros e a nível global. O médico-veterinário e head Internacional de Serviços Veterinários da Ceva Saúde Animal, Dr. Luiz Sesti, explicou que as novas cepas variantes apresentam efeitos sobre o sistema imunológico mesmo na ausência de sinais clínicos evidentes. A análise é baseada em dados de estudos de desafio, nos quais o vírus foi isolado e aplicado de forma controlada em grupos de aves, permitindo avaliar seu comportamento e os efeitos da infecção nos animais.
“Os estudos de desafio mostram que a ausência de sinais clínicos não significa necessariamente ausência de impacto sobre o sistema imunológico das aves. Compreender esse comportamento é importante para avaliar o verdadeiro desafio sanitário encontrado no campo e buscar estratégias de controle mais eficientes”, explicou Sesti.

Da esquerda para a direita: Dr. Tharley Carvalho, gerente de Marketing de Aves; Dr. Jorge Chacón, gerente Nacional de Serviços Veterinários; Dr. Luiz Sesti, head Internacional de Serviços Veterinários
Diferentes plataformas respondem ao desafio de Gumboro
Uma das frentes desse investimento está no desenvolvimento e na avaliação de diferentes tecnologias de vacinação. Em sua apresentação, Sesti abordou as principais plataformas disponíveis para o controle da doença de Gumboro, incluindo vacinas de vírus vivo, vacinas vetorizadas em HVT e a tecnologia de complexo imune, utilizada pela Nextmune.
De forma simplificada, as vacinas de vírus vivo utilizam uma versão vacinal do próprio vírus para estimular a resposta imune. Já as vacinas vetorizadas em HVT utilizam o herpesvírus de perus (HVT) como veículo para apresentar ao sistema imunológico da ave componentes do vírus contra o qual se busca proteção. A tecnologia de complexo imune, por sua vez, associa o vírus vacinal a anticorpos específicos.
Disponível em todo o território nacional, a Nextmune utiliza a cepa Winterfield 2512 associada a anticorpos e é baseada na tecnologia de complexo imune.
Experiência internacional mostra resultados da Nextmune
A tecnologia apresentada pela Ceva Saúde Animal também foi avaliada a partir de experiências realizadas em diferentes mercados. O médico veterinário e diretor Global de Marketing e responsável pela Nextmune, Dr. Marco Aurélio Lopes, apresentou resultados alcançados pela vacina em diferentes países e realidades produtivas.
Segundo Lopes, a experiência internacional demonstra a capacidade da Nextmune de controlar os impactos associados à replicação de diferentes variantes do vírus de Gumboro, com reflexos sobre as perdas produtivas e econômicas.
O executivo também destacou novas evidências científicas de que os impactos da doença podem ir além das lesões tradicionalmente associadas à Bursa de Fabricius, com consequências mais abrangentes para a saúde das aves. Nesse contexto, a maior precocidade de proteção proporcionada pela Nextmune ganha relevância para o controle da doença e para a resposta produtiva dos animais.

Ceva Saúde Animal lançou no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (RJ), vacina Nextmune
Estudos em campo confirmam resultados em mais de 150 milhões de aves
Além das experiências internacionais, a Ceva apresentou evidências obtidas em condições comerciais no Brasil. O médico-veterinário e gerente de Marketing de Aves da Ceva Saúde Animal Brasil, Dr. Tharley Carvalho, apresentou resultados de estudos de Real-World Evidence (RWE) realizados a partir de experiências de empresas brasileiras que utilizaram a Nextmune em condições comerciais de produção.
O trabalho buscou transformar a experiência prática dos produtores em evidências para apoiar a tomada de decisão, utilizando métodos estatísticos para considerar outros fatores que poderiam interferir nos resultados em condições de campo.
Ao todo, os estudos reuniram dados de mais de 150 milhões de aves e avaliaram diferentes indicadores produtivos e sanitários, incluindo conversão alimentar, ganho de peso, mortalidade e condenações no abatedouro.
Os resultados foram observados em 11 estudos de campo. Embora a magnitude da resposta tenha variado entre as empresas, o que é esperado em condições comerciais, o padrão de benefício se manteve consistente.
Na conversão alimentar, por exemplo, as respostas variaram de 5 a 97 gramas de redução, com ganho médio de 24 gramas, o que, segundo a metodologia apresentada pela Ceva, pode representar aproximadamente R$ 144 por mil aves. Também foram observadas reduções nas condenações ao abate, com impacto econômico estimado em cerca de R$ 270 por mil aves nos grupos que receberam Nextmune.
“Ao reduzir os impactos da replicação viral e contribuir para a preservação da saúde das aves, a Nextmune pode favorecer uma melhor resposta produtiva e auxiliar na redução dos impactos associados a outros desafios sanitários presentes no campo”, detalhou Carvalho.
Resultado da vacinação depende também da aplicação
Para fechar a programação técnica, a médica-veterinária e gerente Nacional de Serviços Veterinários – Autógenas da Ceva Saúde Animal, Dra. Isabel Minoli, apresentou boas práticas para o uso de vacinas liofilizadas e congeladas em incubatórios, com foco nas vias subcutânea e in ovo.
“Uma vacina é parte de um programa de prevenção, e o resultado depende de uma sequência de fatores. Por isso, tão importante quanto a tecnologia é garantir que todos os procedimentos de vacinação sejam realizados corretamente, desde a preparação até a aplicação”, explicou Minoli.
Conteúdo alinhado à realidade das granjas
Na visão de profissionais do setor que assistiram às apresentações no Museu do Amanhã, há um consenso: a atualização científica e tecnológica é a via para combater as perdas econômicas causadas pela doença.
Para o especialista em sanidade Antonio Guilherme Machado de Castro, a modernização das vacinas atende a uma demanda urgente frente aos quadros de mau desempenho produtivo. "O Gumboro sempre foi um grande problema e a Ceva, que já havia mudado o setor na década de 2000, agora faz uma atualização necessária contra as formas subclínicas da doença, nos deixando a par dos últimos protocolos", avalia.
O professor da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), Paulo Lourenço Silva, destacou que a tecnologia apresentada ataca uma imunossupressão pouco diagnosticada pelos métodos usuais. "Trouxeram informações muito valiosas e ciência aplicada para que a avicultura possa, de fato, minimizar os impactos econômicos que estamos tendo no campo", afirma o pesquisador.
Já Ricardo Hummes Rauber, consultor de sanidade avícola da Vetinova e CEO do Instituto SAMITEC, ressaltou que a programação ajudou a nivelar o conhecimento técnico, já que muitos produtores não percebem a ação silenciosa do vírus. "O conteúdo corrobora com o que já víamos na prática, não só no Brasil, mostrando a dificuldade real do setor em reconhecer que o Gumboro subclínico é um problema no dia a dia e que precisa ser controlado", pontua.
Para a consultora técnica da F&S Consulting, Alessandra Appel, o lançamento conecta as evidências científicas diretamente com as dores de quem opera os processos na granja. "Foi um evento inovador que coloca a empresa na vanguarda novamente, e a Nextmune entra com toda a capacidade de suprir essa lacuna do mercado e ser trabalhada pelas próximas décadas", conclui.
Sobre a Ceva Saúde Animal
A Ceva Saúde Animal (Ceva) é a 5ª maior empresa global de saúde animal, liderada por veterinários experientes, cuja missão é fornecer soluções de saúde inovadoras para todos os animais, garantindo o mais alto nível de cuidado e bem-estar. Nosso portfólio inclui medicina preventiva, como vacinas e produtos de bem-estar animal, soluções farmacêuticas para animais de produção e de companhia, além de equipamentos e serviços que proporcionam a melhor experiência para nossos clientes.
Com mais de 7.000 colaboradores em 47 países, a Ceva se empenha diariamente em concretizar sua visão como uma empresa One Health: “Juntos, além da saúde animal”.
Faturamento de 2025: €1,9 bilhão.
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