Agita Brasil - Portal de Notícias

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2026

NOTÍCIAS Agronegócio

III Fórum Bioinsumos no Agro debate riscos da falta de segurança jurídica para consolidação do setor

Indústria, academia e área produtiva se reúnem para dialogar sobre o potencial do país e fazem alertas sobre ameaças contra o avanço do mercado

III Fórum Bioinsumos no Agro debate riscos da falta de segurança jurídica para consolidação do setor
IMPRIMIR
Use este espaço apenas para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.
enviando

A busca por segurança jurídica e por um marco regulatório próprio para os bioinsumos marcou os debates do III Fórum Bioinsumos no Agro, realizado no dia 18 de agosto na sede da Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo (Ocesp), em São Paulo. Reunindo lideranças da cadeia produtiva, pesquisadores e representantes do governo, o evento ressaltou que a consolidação da sustentabilidade no campo e a atração de novos investimentos dependem diretamente de regras claras, transparentes e pautadas na ciência.

Segundo pesquisa apresentada pela Kynetec Brasil no primeiro painel, atualmente os biodefensivos cobrem mais de 107 milhões de hectares, representando 6% do mercado total de defensivos. Com a área tratada crescendo mais de 30% ao ano, o setor supera a expansão da área cultivada no país, que avança entre 3% e 4%. “O tratamento é inevitável devido ao aumento da pressão de pragas. Isso exige produtos de alta performance, como os biológicos, que não geram resistência”, explicou o coordenador da empresa, Vitor Hugo Leite.

Compondo o debate inicial, Alberto Pfeifer, coordenador do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional (GACInt-USP), e Roberto Levrero, presidente Associação Brasileira das Indústrias de Tecnologia para Produção Vegetal (Abisolo) defenderam que a soberania brasileira depende da gestão inteligente de dados e da influência sobre regulações internacionais. Eles destacaram que o país já possui expertise técnica em insumos vivos e adaptação ao clima tropical para alcançar essa autonomia, desde que haja uma regulamentação transparente e segura para atrair investimentos contínuos.

Leia Também:

O segundo painel reuniu os produtores Pelerson Penido (Grupo Roncador) e José Eugênio Rezende Barbosa (Agroterenas), abordando a transição para uma agricultura regenerativa. Por meio das experiencias no campo, eles compartilharam resultados com uso de remineralizadores e a integração lavoura-pecuária para construir sistemas mais resilientes e rentáveis. Ao lado de Paulo Buffon, presidente do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (GAAS), os participantes enfatizaram a importância do equilíbrio do solo e a investigação a causa dos problemas.

O terceiro debate concentrou-se na defesa de uma integração entre tecnologia, segurança jurídica e propriedade intelectual para transformar a biodiversidade em produtos de alto valor. Igor Lyra, diretor sênior para Biológicos e Seedcare da Syngenta, Juliana Machado, especialista de bioinsumos e foliares da Yara, Maurício Quintela, CEO da Traive, e o presente do Instituto Nacional da Propriedade Industrial, Julio Castelo Branco (INPI) concluíram que o futuro do setor depende de uma conexão robusta entre ciência, mercado e políticas públicas, com novas estruturas de crédito e financiamento, como fundos dedicados à agricultura de conservação.

O quarto ponto do Fórum abordou a qualificação acadêmica e técnica no setor. Os pesquisadores Luís Reynaldo Ferracciú Alleoni (USP/ESALQ), Marcela Pavan Bagagli (IFSP), Marcos Rodrigues de Faria (Embrapa) e Waldir Cintra (Ufscar) enfatizaram que a transição para a agricultura biológica exige uma mudança de mentalidade com foco na saúde do sistema, que se difere do manejo com químicos. Os painelistas defenderam uma maior integração entre a academia, indústria e produtores para eficácia das tecnologias sustentáveis.

O painel final alertou que a falta de diretrizes claras gera insegurança jurídica, afasta investimentos e prejudica a fiscalização. Amália Borsari, diretora de Biológicos da Croplife Brasil, Cristhiane Amâncio, chefe geral e pesquisadora em Sociologia e Desenvolvimento Rural na Embrapa Agrobiologia, e Pablo Rodrigo Hardoim, doutor em Microbiologia e consultor científico da GAAS lembraram que os bioinsumos são uma categoria própria, distinta de agrotóxicos e fertilizantes, que exigem regras pautadas na ciência, segurança biológica e expansão de mercado. Fábio Calcini (FGV) ressaltou que garantir benefícios fiscais da reforma tributária para o setor e não replicar modelos burocráticos é essencial para incentivar a inovação e manter a liderança global do Brasil.

Futuro do setor

O ex-ministro Roberto Rodrigues, convidado especial do evento, destacou que o agronegócio brasileiro enfrenta severos riscos institucionais e regulatórios que exigem soluções imediatas e transparentes. "Só as crises nos mostram claramente as coisas óbvias. Nós temos que reduzir riscos, isso depende de regulamentação. É preciso haver clareza e não dar margem para dupla interpretação”, comentou.

Participaram como moderadores Guilherme Bastos Coordenador da FGV Agro, João Francisco Adrien vice-presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Cynthia Cury, analista de relações institucionais e governamentais da Embrapa Instrumentação, Luis Barbieri, CEO do Instituto Folio, Roberto Betancourt vice-presidente da Fiesp Deagro, que colaboraram com a visão de que os bioinsumos atuam de forma complementar, expandindo possibilidades, aumentando a produtividade e eficácia na defesa do campo. “A migração para a agricultura biológica não se resume à substituição de químicos, mas exige uma mudança em todo o sistema produtivo”, concluiu Adrien.

Comentários:
Attuale Comunicação

Publicado por:

Attuale Comunicação

Saiba Mais

Veja também

Crie sua conta e confira as vantagens do Portal

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!

Envie sua mensagem, estaremos respondendo assim que possível ; )

(Responsabilidade pelo conteúdo) As ideias e opiniões expressas em cada matéria publicada são de exclusiva responsabilidade do autor, não refletindo, necessariamente, as opiniões do editor. Cada jornalista é responsável juridicamente por suas matérias assinadas. O Editor se responsabiliza apenas pelas matérias assinadas por ele. - AGITA BRASIL.