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Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026

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Pesquisa brasileira iniciada nos anos 1990 abriu caminho para uso agrícola de silicatos

Estudos conduzidos a partir de 1998 avaliaram composição, segurança e potencial agronômico de materiais ricos em silicatos de cálcio e magnésio

Pesquisa brasileira iniciada nos anos 1990 abriu caminho para uso agrícola de silicatos
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O uso agrícola de silicatos de cálcio e magnésio no Brasil começou a ganhar respaldo científico no final da década de 1990, quando pesquisadores passaram a avaliar a composição, a segurança e o potencial agronômico de materiais provenientes da indústria siderúrgica. Os trabalhos iniciados em 1998 contribuíram para abrir caminho para a utilização desses materiais como corretivos e fontes de nutrientes para as plantas.

Na Universidade Federal de Viçosa (UFV), o professor titular aposentado Caetano Marciano de Souza esteve à frente de parte dessas pesquisas, reunindo também informações produzidas por outras instituições de ensino e pesquisa. Segundo ele, uma das principais preocupações naquele momento era demonstrar que o material poderia ser utilizado na agricultura com segurança e eficiência.

“Era necessário estudar o material, conhecer sua composição e avaliar também a presença de possíveis contaminantes. O princípio sempre foi muito claro: só poderia ser destinado à agricultura aquilo que apresentasse qualidade e segurança para o uso”, explica Souza.

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A partir desses estudos, o trabalho avançou até a liberação do Agrosilício, em 2002. O material é composto principalmente por silicatos de cálcio e magnésio e atua como uma alternativa moderna aos corretivos convencionais da acidez do solo. Além de promover a correção química de forma eficiente, fornecendo cálcio e magnésio, o Agrosilício agrega o fornecimento de silício, um diferencial que contribui para o fortalecimento das plantas e para a construção de sistemas produtivos mais resilientes.

Os solos brasileiros, lembra o professor, apresentam frequentemente condições de acidez que limitam o aproveitamento de nutrientes pelas culturas. A correção do solo contribui para criar um ambiente químico mais favorável ao crescimento das raízes e à absorção de nutrientes.

“O cálcio e o magnésio têm importância tanto na correção da acidez quanto na nutrição das plantas. Nos silicatos de cálcio e magnésio, esses nutrientes são fornecidos juntamente com o silício, permitindo que o produtor utilize um insumo que desempenha as funções tradicionalmente associadas aos corretivos convencionais e ainda agrega benefícios adicionais à lavoura. Quando melhoramos as condições do solo, também favorecemos o aproveitamento de nutrientes que estavam menos disponíveis”, afirma.

O papel do silício

Esse diferencial torna os silicatos de cálcio e magnésio uma ferramenta estratégica para a agricultura moderna. Enquanto os corretivos convencionais atuam prioritariamente na correção da acidez e no fornecimento de cálcio e magnésio, os silicatos agregam também o fornecimento de silício ao sistema produtivo.

Segundo o professor, plantas adequadamente supridas com silício podem apresentar tecidos com maior resistência mecânica e respostas mais favoráveis diante de determinados estresses. Entre os efeitos estudados estão a maior resistência ao ataque de algumas pragas e doenças, menor perda de água e maior capacidade de enfrentar períodos de déficit hídrico.

“O silício pode conferir maior resistência à planta. Esse efeito aparece tanto na estrutura dos tecidos quanto na resposta a situações adversas. Não significa que ele substitua outras práticas de manejo, mas é mais um componente que pode favorecer o desenvolvimento da cultura”, explica.

Outro ponto observado nas pesquisas é a influência indireta sobre a arquitetura da planta. Segundo Souza, uma estrutura vegetal mais firme pode favorecer o posicionamento das folhas e sua exposição à radiação solar, com reflexos sobre o processo fotossintético.

Nesse contexto, os silicatos de cálcio e magnésio passaram a ser reconhecidos como uma alternativa tecnológica aos corretivos convencionais. Além de exercerem a função corretiva e fornecerem cálcio e magnésio, agregam ao sistema produtivo o silício, elemento associado ao fortalecimento das plantas e à maior tolerância a estresses. Essa combinação permite que o produtor reúna em uma única operação benefícios relacionados à correção do solo, nutrição vegetal e manejo da sanidade das culturas.

Da indústria de volta ao sistema produtivo

A trajetória dos silicatos acompanha uma transformação importante na agricultura brasileira. Materiais que durante muitos anos foram chamados genericamente de “escórias” ou “resíduos” siderúrgicos passaram por um amplo processo de avaliação científica, que comprovou seu potencial agronômico e sua segurança para uso agrícola.

Atualmente, esses materiais são classificados tecnicamente como silicatos de cálcio e magnésio, fertilizantes com propriedades corretivas que vêm ganhando destaque na agricultura moderna por sua capacidade de atuar simultaneamente na correção da acidez do solo, no fornecimento de nutrientes essenciais e na promoção da sanidade vegetal. Além de disponibilizar cálcio e magnésio, nutrientes tradicionalmente associados aos corretivos agrícolas, os silicatos agregam ao sistema produtivo o silício, elemento reconhecido pelos benefícios relacionados ao fortalecimento dos tecidos vegetais e ao aumento da tolerância das plantas a diferentes tipos de estresse. Na agricultura, essa utilização permite que componentes presentes no agregado retornem ao sistema produtivo como insumos, desde que atendam aos requisitos de qualidade e segurança necessários para essa finalidade.

Dessa forma, o silicato de cálcio e magnésio passou a ser visto como uma tecnologia que vai além da correção do solo. Sua atuação contribui para a construção da fertilidade, para o desenvolvimento radicular, para o melhor aproveitamento dos nutrientes e para o fortalecimento das plantas, refletindo em sistemas produtivos mais equilibrados, resilientes e sustentáveis.

“Quando existe um uso tecnicamente adequado e o material atende às condições ambientais e sanitárias necessárias, ele deixa de ser simplesmente algo destinado ao descarte e passa a ter uma nova função”, afirma o professor.

Para Souza, quase três décadas depois do início dos primeiros estudos, o conhecimento acumulado também mostra como a pesquisa pode ampliar as possibilidades de aproveitamento de materiais que antes tinham poucas alternativas de destinação.

“A cada dia nós continuamos encontrando novas possibilidades. Os efeitos mais evidentes já foram bastante estudados, mas ainda há espaço para ampliar esse conhecimento e entender outros benefícios”, conclui.

Sobre o Grupo Agronelli  

O Grupo Agronelli é um conglomerado de empresas brasileiras com atuação diversificada e forte compromisso com o desenvolvimento sustentável e a inovação no setor agrícola e agroindustrial. Fundado com a missão de transformar o mundo ao seu redor, por meio de práticas responsáveis e soluções eficientes, o grupo se destaca por seu impacto positivo na produtividade e na sustentabilidade do setor. Com empresas especializadas que oferecem desde tecnologias de manejo ambiental até soluções em insumos agrícolas e consultoria técnica, o Grupo Agronelli consolida-se como um parceiro estratégico para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde atua. Engloba as empresas: Agronelli Soluções, que desenvolve e fornece condicionadores, corretivos e fertilizantes de solo; Porto Real, fábrica de bebidas; Nobre, voltada à captação, envase e comercialização de água mineral; Nelltech, voltada para soluções em tecnologia da informação, otimização de sistemas e processos; e Agronelli Fazendas, um complexo com nove fazendas destinadas à pecuária de leite e de corte, agricultura e desenvolvimento de soluções sustentáveis no campo. Além disso, o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social atua no desenvolvimento e execução de projetos voltados à educação e ao desenvolvimento socioambiental.

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