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Terça-feira, 22 de Setembro de 2026

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Pesquisas avaliam produção de jumentas e abrem espaço no mercado de alimentos funcionais e cosméticos

Com sua elevada concentração de compostos bioativos e o crescente interesse do mercado internacional, o produto tem alcançado alto valor comercial em vários países

Pesquisas avaliam produção de jumentas e abrem espaço no mercado de alimentos funcionais e cosméticos
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Valorizado em diversos países por suas propriedades nutracêuticas e características nutricionais, o leite de fêmeas asininas vem sendo pesquisado no Brasil como uma alternativa para agregar valor à criação da espécie nos estados nordestinos. A estimativa é de que a região, predominantemente o Semiárido, concentra 90% dos animais do ecótipo Nordestino, aproximadamente 696 mil exemplares, rebanho quase oito vezes superior ao efetivo da Europa Ocidental (estimado em 87 mil), que reúne diversos países produtores de leite asinino.

Com a publicação dos resultados de pesquisas feitas na Universidade Federal do Agreste de Pernambuco (UFAPE) e na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), a expectativa é de chegar ao mercado brasileiro, ainda este ano, produtos alimentícios funcionais e cosméticos feitos à base de leite de jumenta. Os resultados dos estudos realizados pelo grupo de pesquisadores já foram publicados em periódicos científicos conceituados, como a Tropical Animal Health and Production e a Veterinary and Animal Science (VAS).

Para garantir a estruturação da cadeia produtiva na região, os estudos avaliaram primeiramente a viabilidade produtiva e econômica da atividade, incluindo a capacidade produtiva das fêmeas asininas do ecótipo Nordestino e como essa produção pode ser manejada de forma eficiente. Uma das pesquisas analisou a dinâmica de secreção láctea, buscando determinar a produção diária e o intervalo adequado para o enchimento do úbere, utilizando, para isso, o método indireto, por meio da pesagem do potro antes e após as mamadas.

A produção aferida foi de 5 litros de leite por fêmea/dia, aproximadamente. “Embora os volumes de leite de jumenta possam parecer reduzidos quando comparados àqueles tradicionalmente obtidos na bovinocultura leiteira, essa comparação não é adequada, pois se trata de um produto destinado a um nicho de mercado específico e de elevado valor agregado. Trata-se de um alimento funcional, devido às suas características nutricionais e ao conteúdo de compostos bioativos de interesse nutracêutico”, explica o zootecnista, doutor em Ciência Animal e professor da UFAPE, Jorge Eduardo Cavalcante Lucena.

Em um segundo estudo, os pesquisadores avaliaram diferentes intervalos entre ordenhas para determinar o tempo necessário para o adequado enchimento do úbere e estabelecer uma frequência de ordenha compatível com a produção e o bem-estar da fêmea e do potro. Os resultados indicaram que um intervalo de aproximadamente 4 horas entre ordenhas permite a realização de até três ordenhas diárias, sem prejuízos ao desenvolvimento do potro ou à integridade do sistema mamário da fêmea, desde que sejam rigorosamente observadas as medidas de higiene e controle sanitário. O estudo também avaliou a produção de leite em relação ao peso corporal das jumentas, uma variável particularmente importante para o ecótipo Nordestino, cujas fêmeas apresentam menor porte e peso em comparação às tradicionais raças leiteiras de outras regiões.

Quando expressa proporcionalmente ao peso vivo, a produção do ecótipo Nordestino alcançou 169,19 g de leite por 100 kg de peso vivo por ordenha, demonstrando elevada eficiência produtiva.  Esse desempenho foi superior ao observado em raças tradicionais como a Jiangyue e Dezhou, da China, e a Pêga, do Brasil. “Os resultados demonstram que, embora as jumentas do ecótipo Nordestino sejam menores e mais leves, apresentam expressiva capacidade de produção proporcional ao seu tamanho, reforçando seu potencial para o desenvolvimento de sistemas de produção de leite adaptados às condições do Semiárido nordestino”, pontua o professor da UFAPE.

Segundo ele, as pesquisas continuam avançando, com enfoque no aprimoramento das práticas de ordenha, estratégias nutricionais e seleção e melhoramento genético dos animais. Isso permitirá a consolidação de uma segunda etapa do projeto, cujo objetivo será o desenvolvimento de produtos alimentícios e cosméticos à base de leite de jumenta. “A estruturação dessa nova cadeia produtiva poderá estimular a geração de trabalho e renda, a diversificação das atividades rurais e o desenvolvimento de uma indústria regional, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do Semiárido, região marcada por índices de desenvolvimento humano inferiores à média nacional”, conclui o professor Jorge Lucena.

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

Kaísa Romagnoli é jornalista com sólida experiência em comunicação estratégica e produção de conteúdo.

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