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Sexta-feira, 31 de Julho de 2026

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Sonora Fantasma faz do último encontro com o pai a canção 'Até Amanhã'

Coleção de músicas que nascem do fazedor de filmes Diego da Costa

Sonora Fantasma faz do último encontro com o pai a canção 'Até Amanhã'
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Cinco anos depois da estreia com Adeus Mundo Véio, a Sonora Fantasma retorna para mais uma coleção de músicas que nascem do fazedor de filmes Diego da Costa (diretor de Selvagem, um dos 15 longas que disputaram a indicação brasileira ao Oscar 2022). O primeiro single é 'Até Amanhã', canção que rememora o último encontro de Diego com o pai.

Ouça aqui: tratore.ffm.to/sfateamanha.

Diego escreveu 'Até Amanhã' após a morte do pai, ao recuperar a despedida em que ainda acreditava que os dois se veriam novamente no dia seguinte.

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"Até amanhã’ é uma despedida carinhosa. Nela está implícito que, no outro dia, veremos a pessoa a quem nos dirigimos. O dia seguinte está sempre em perspectiva. Esperamos ver o outro, abraçá-lo e contar o que se passou na sua ausência. Mas nem sempre é possível. Essa canção fala de quando nos despedimos cotidianamente de alguém sem saber que não o veremos mais”, diz Diego.

A frase “De onde sou, à noite estou só” começou a se repetir na cabeça do músico logo depois da perda. Ainda faltava encontrar uma música para aquele refrão. A primeira direção apareceu após um show intimista do Yo La Tengo no Cine Joia, em São Paulo.

“Pensei que essa música poderia ser uma mistura de Yo La Tengo com Jorge Ben. Essa mistura não aconteceu”, admite. A ideia serviu para Diego construir a base de guitarra, mas a composição permaneceu incompleta até chegar ao produtor Rafael Sartori, que criou os arranjos e acrescentou baixo e sintetizadores.

Diego ainda não estava satisfeito com a letra. Procurou então Vinícius Cabral, músico da Godofredo e The Innernettes, com quem divide a autoria da versão final.

“Ela era tão pessoal que eu não estava conseguindo achar as palavras justas para alguns dos versos. Em menos de uma hora, o Vinícius me devolveu a letra com as alterações”, conta. “Desde o início, a música se chamava ‘Até Amanhã’, mas eu tinha muitas dúvidas. Ele me disse para abraçar o título e me lembrou do Noel Rosa.”

A lembrança levou Diego à canção homônima de Noel. Durante a gravação, ele mostrou a música para Lu Toller, responsável pelos arranjos vocais do álbum.

“A Lu prontamente fez um arranjo de voz com as manas do Vozeiral. De improviso, a frase que dá nome à música entrou também na letra: ‘até amanhã, se Deus quiser’.”

No arranjo, a Sonora Fantasma procurou um ponto de contato entre o indie rock, o samba e a bossa nova. A presença brasileira precisava fazer parte da tristeza da canção, sem suavizar o motivo que deu origem a ela.

“Eu queria que essa canção tivesse um clima de samba, uma bossa nova, que trouxesse um elemento brasileiro para a nossa tristeza”, explica Diego. “Ela tem um tanto de indie, um tanto de Brasil e é a mais dolorida das canções desse álbum. Talvez não.”

Do mundo em colapso às perdas pessoais

“Até Amanhã” foi a última música composta para Sonora Fantasma te ama, o novo disco que chega em setembro.

O repertório começou a ser escrito em 2022 e atravessou três anos de mudanças, perdas e interrupções. O disco chegou a ser planejado para sair antes, mas a vida de Diego acabou definindo outro ritmo.

“Diversas questões pessoais atravessaram o projeto e só agora estamos conseguindo lançar esse novo álbum. Já tenho novas composições esperando para serem gravadas”, afirma.

As mudanças também estão nas letras. Adeus Mundo Véio foi criado no começo da pandemia, quando Diego ainda acreditava que aquela experiência poderia provocar alguma transformação coletiva. O disco falava de política, capitalismo, tecnologia, morte e da possibilidade de construir outros futuros.

“Eu escrevi as primeiras letras acreditando, ingenuamente, que poderíamos mudar o planeta, mudar nossos hábitos e nos livrar dos bilionários e das big techs. Por fim, o que se mostrou foi o contrário. Estamos completamente dominados”, diz.

Lançado em 2021 pelo selo Abbey Roça, com distribuição da Tratore, Adeus Mundo Véio carregava a urgência do punk feito por conta própria e referências do rock alternativo do final dos anos 1990 e começo dos anos 2000.

Faixas como “O Provável e o Possível”, “Vento do Leste” e “A Cigarra e a Formiga” permaneceram nos shows e ajudaram a manter a Sonora Fantasma em atividade. O álbum também entrou na seleção anual de melhores lançamentos do podcast Silêncio no Estúdio.

“O objetivo de Adeus Mundo Véio era fazer a Sonora Fantasma existir. A meta era ter ao menos uma boa música, que seria suficiente para seguir tocando. Acredito que fizemos mais do que isso. Temos ao menos três boas canções que nos fizeram tocar bastante por aí”, comenta Diego.

No segundo disco, a inquietação permanece, mas parte de experiências próximas.

“Sonora Fantasma te ama é um álbum muito mais intimista. Os temas principais são perdas, dores pessoais, lutos e finais de relacionamentos. A gente também trata muito do não pertencimento, de ser um exilado, às vezes um exilado de si mesmo. Há conflitos geracionais e um certo bucolismo ao cantar sobre o campo, o contato com a terra e a vida do ser humano com a natureza”, explica.

Um disco brasileiro por caminhos diferentes

Diego e Rafael Sartori repetem a parceria do primeiro álbum. Diego assina as composições e divide a produção com Rafael, responsável pelos arranjos. Desta vez, a dupla buscou o trabalho de estúdio dos discos brasileiros da década de 1970, com coros, metais, cordas e instrumentos acústicos, sem abandonar guitarras, sintetizadores e ruídos.

Raul Seixas, Erasmo Carlos, Sá, Rodrix e Guarabyra e Clube da Esquina orientaram parte dessa procura. As outras referências vêm do indie e do rock alternativo.

“Eu brinco que o álbum é uma mistura de Flaming Lips com Clube da Esquina. É uma redução que não trata da verdade do disco, mas talvez possa instigar alguém a querer escutá-lo”, diz Diego.

Sonora Fantasma te ama terá oito faixas. “Vida no Campo”, lançada como single em 2024, abrirá o álbum em uma nova versão. A viola caipira inicia a gravação e dá lugar a sintetizadores, uma passagem industrial, coro feminino e um riff de violoncelo.

O repertório inclui ainda “O Brilho das Pedras”, de Sá, Rodrix e Guarabyra, recriada com uma batida de funk nos versos. É a primeira versão gravada pela Sonora Fantasma.

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

Kaísa Romagnoli é jornalista com sólida experiência em comunicação estratégica e produção de conteúdo.

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