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Segunda-feira, 06 de Julho de 2026

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Truques virais para desamassar carros podem transformar pequenos danos em grandes prejuízos

Especialista alerta que técnicas populares nas redes sociais podem comprometer a pintura, dificultar o reparo e até reduzir o valor de mercado do veículo

Truques virais para desamassar carros podem transformar pequenos danos em grandes prejuízos
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Basta uma rápida busca nas redes sociais para encontrar vídeos que prometem eliminar amassados na lataria usando água quente, secadores de cabelo, ventosas, cola quente e até desentupidores de pia. As publicações costumam acumular milhões de visualizações ao apresentar soluções rápidas e aparentemente econômicas para um problema comum entre motoristas. No entanto, especialistas alertam que a prática pode sair mais cara do que o reparo profissional.

O alerta ganha relevância em um país que possui uma frota superior a 130 milhões de veículos, segundo dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Com mais carros circulando, cresce também a ocorrência de pequenos danos causados por colisões leves, granizo, quedas de objetos e incidentes em estacionamentos.

De acordo com João Ricardo Chamone Maciel, profissional especializado em Martelinho de Ouro e revenda de automóveis, muitos dos métodos compartilhados na internet ignoram fatores técnicos fundamentais para a recuperação da lataria.

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“Cada amassado possui características próprias relacionadas à profundidade, ao local atingido e à tensão da chapa. O que parece uma solução simples em um vídeo pode gerar deformações adicionais, trincas na pintura e até danos permanentes na peça quando aplicado sem conhecimento técnico”, explica.

A busca por alternativas caseiras também tem sido impulsionada pelo aumento da produção e circulação de veículos no país. Dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores apontam que o mercado brasileiro encerrou 2025 com mais de 2,6 milhões de veículos novos emplacados, reforçando a preocupação dos proprietários com a conservação e valorização de seus automóveis.

Segundo João Ricardo, o principal problema surge quando a tentativa de reparo agrava o dano original. Em muitos casos, um amassado que poderia ser corrigido por técnicas de desamassamento sem pintura acaba exigindo serviços mais invasivos, como funilaria, aplicação de massa e repintura.

“É comum recebermos veículos em que a intervenção caseira piorou a situação. Quando há comprometimento da pintura original, o reparo se torna mais complexo e, consequentemente, mais caro. Além disso, preservar a pintura de fábrica é um fator importante para a valorização do veículo”, afirma.

Outro fator que exige atenção é a evolução dos materiais utilizados pela indústria automotiva. Muitos veículos modernos empregam ligas metálicas de alta resistência, alumínio e componentes desenvolvidos para absorção impactos, exigindo ferramentas específicas e técnicas adequadas para evitar deformações adicionais.

A preocupação também se estende aos eventos climáticos extremos. Tempestades de granizo têm se tornado cada vez mais frequentes em diversas regiões brasileiras, aumentando a procura por serviços especializados de recuperação estética automotiva. Nesses casos, a tentativa de corrigir dezenas de pequenas avarias sem avaliação profissional pode comprometer ainda mais a estrutura superficial da carroceria.

Para o especialista, a popularização de conteúdos virais tem levado muitos consumidores a acreditar que qualquer dano pode ser resolvido com soluções improvisadas.

“As redes sociais costumam mostrar apenas o resultado final, sem explicar os riscos envolvidos ou os casos em que a técnica não é indicada. O carro representa um patrimônio importante para a maioria das famílias. Antes de tentar qualquer procedimento encontrado na internet, vale buscar uma avaliação profissional para evitar prejuízos maiores”, destaca.

Em tempos de vídeos de poucos segundos e soluções instantâneas, a cautela continua sendo a melhor ferramenta para quem deseja manter o veículo em bom estado. Afinal, quando o assunto é patrimônio, nem sempre o caminho mais rápido é o mais econômico.

Sobre
João Ricardo Chamone Maciel é especialista em martelinho de ouro com atuação voltada à recuperação estética automotiva e preservação da originalidade dos veículos. Com mais de 15 anos de experiência no setor, construiu trajetória atendendo locadoras, oficinas e clientes particulares, com foco em reparos sem repintura e conservação do valor de revenda dos automóveis.

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

Publicado por:

Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

Kaísa Romagnoli é jornalista com sólida experiência em comunicação estratégica e produção de conteúdo.

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