São Paulo, junho de 2026 – Com a aproximação das férias de julho, muitas famílias já começam a planejar viagens pelo Brasil e para o exterior. O período costuma aumentar o movimento em aeroportos, rodoviárias, hotéis, parques, praias, destinos de frio e eventos de grande circulação de pessoas. Nesse contexto, a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI) reforça que o planejamento da viagem deve incluir também uma etapa muitas vezes esquecida: a avaliação de saúde pré-viagem.
A orientação vale tanto para quem pretende viajar para fora do país quanto para quem circulará pelo Brasil, especialmente em roteiros que envolvem áreas rurais, regiões de mata, ecoturismo, destinos com maior risco de febre amarela, locais com surtos ativos de doenças infecciosas ou ambientes de grande aglomeração. Segundo a SPI, revisar a caderneta vacinal com antecedência é uma das medidas mais importantes para reduzir riscos durante o deslocamento.
“Viajar com segurança não é apenas comprar passagem e reservar hospedagem. A saúde também precisa entrar no roteiro. Algumas vacinas precisam de tempo para gerar proteção adequada, e outras podem ser recomendadas de acordo com o destino, idade, histórico vacinal e condições de saúde do viajante”, afirma Rodrigo de Carvalho Santana, diretor da SPI.
Entre as vacinas que devem ser avaliadas antes das férias estão influenza, covid-19, tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola, hepatite B, tétano, difteria, coqueluche e febre amarela, quando indicada. Para determinados destinos ou perfis de viajantes, também pode haver recomendação de proteção contra hepatite A, febre tifoide e outras doenças, além de orientações específicas sobre água, alimentos, prevenção de diarreia do viajante e cuidados com picadas de mosquitos.
A atenção ao sarampo também merece destaque. A doença é altamente contagiosa, transmitida pelo ar, e pode se espalhar rapidamente em ambientes com grande concentração de pessoas. Por isso, viajantes devem verificar se estão adequadamente imunizados antes de embarcar, especialmente em deslocamentos internacionais ou para locais com circulação da doença.
“A medicina do viajante não é uma lista única de vacinas. Ela considera o destino, o tempo de permanência, o tipo de hospedagem, as atividades previstas, a presença de crianças, idosos, gestantes ou pessoas imunossuprimidas, além de doenças pré-existentes e medicamentos em uso. Cada viagem pode exigir uma orientação diferente”, explica Santana.
A SPI também chama atenção para doenças respiratórias, comuns em períodos de frio e em ambientes fechados, como aviões, ônibus, aeroportos, hotéis e atrações turísticas. Higienizar as mãos, evitar contato próximo com pessoas sintomáticas, usar máscara em caso de sintomas respiratórios ou maior vulnerabilidade, manter boa hidratação e não viajar doente são medidas simples que ajudam a reduzir riscos.
Febre alta, manchas vermelhas pelo corpo, falta de ar, piora do estado geral, rigidez na nuca, diarreia persistente, sinais de desidratação ou sintomas após retorno de áreas com circulação de doenças infecciosas devem motivar avaliação médica. Para a SPI, o objetivo não é gerar alarme, mas reforçar que informação e prevenção fazem parte de uma viagem segura.
“Mesmo quem deixou para se organizar na última hora ainda deve conferir a carteira vacinal e buscar orientação. Viajar protegido é uma forma de cuidar da própria saúde, da família e também de evitar a circulação de doenças preveníveis no retorno”, conclui Santana.
Sobre a fonte
A Sociedade Paulista de Infectologia reúne médicos infectologistas e pesquisadores dedicados ao estudo, à pesquisa e ao aprimoramento científico na área das doenças infecciosas. A entidade contribui com análises técnicas e orientação à sociedade sobre temas como vacinação, medicina do viajante, gripe, infecções respiratórias, HIV, hepatites virais, tuberculose e outras condições infecciosas relevantes para a saúde pública.
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