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Quarta-feira, 05 de Agosto de 2026

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ARTIGO | Doença respiratória bovina pode comprometer a produção antes mesmo da primeira lactação

*Gustavo Sena Lopes

ARTIGO | Doença respiratória bovina pode comprometer a produção antes mesmo da primeira lactação
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Na pecuária leiteira moderna, produtividade e eficiência são palavras de ordem. No entanto, um desafio silencioso pode comprometer os resultados antes mesmo de a fêmea iniciar sua vida produtiva: a doença respiratória bovina, especialmente quando se manifesta de forma subclínica em bezerras.

Sem sinais clínicos evidentes em muitos casos, essa enfermidade avança de forma discreta dentro do rebanho, impactando diretamente o desenvolvimento das futuras vacas leiteiras e, consequentemente, a rentabilidade do sistema.

Diferente das doenças de manifestação mais evidente, a pneumonia subclínica não se apresenta com sintomas claros. Não há tosse intensa, febre evidente ou queda abrupta no consumo. E é exatamente isso que a torna tão perigosa.

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Seus efeitos podem ser progressivos e cumulativos, com redução no ganho médio diário, piora da eficiência alimentar, comprometimento do desenvolvimento corporal e possíveis impactos na formação do tecido mamário. O reflexo, muitas vezes, aparece apenas mais tarde, com menor desempenho produtivo na primeira lactação.

Do ponto de vista fisiológico, o pulmão bovino apresenta características que aumentam sua vulnerabilidade, como menor capacidade volumétrica proporcional, baixa ventilação colateral entre os alvéolos e uma estrutura lobulada que dificulta a recuperação. Esses fatores fazem com que mesmo lesões leves tenham impacto funcional significativo e recuperação mais lenta.

A pneumonia em bezerras não é causada por um único agente, mas por uma combinação de fatores. O quadro pode envolver agentes virais, como IBR, BVD, BRSV e PI3, e agentes bacterianos, como Mannheimia haemolyticaPasteurella multocida e Histophilus somni, além de condições ambientais e de manejo que favorecem a ocorrência da doença.

Bezerras que enfrentam desafios respiratórios precoces apresentam menor desenvolvimento corporal, atraso no atingimento de peso ideal e redução da capacidade produtiva futura. Por isso, o prejuízo não se limita à fase de cria. Ele pode aparecer na vaca que essa bezerra deveria se tornar, com impacto direto sobre a eficiência produtiva do sistema.

Detectar a doença exige um olhar mais técnico e sensível, capaz de identificar alterações sutis no comportamento, redução discreta no consumo, mudanças na frequência respiratória e perda de uniformidade no lote. Indicadores zootécnicos, como ganho de peso, e exames complementares também podem auxiliar na identificação de processos inflamatórios subclínicos.

O ambiente desempenha papel decisivo nesse processo e pode tanto amplificar quanto ajudar a controlar o problema. Ventilação inadequada, excesso de umidade, acúmulo de gases, presença de poeira e alta densidade de lotação aumentam a pressão de infecção e reduzem a eficiência das demais estratégias sanitárias.

Diante desse cenário, a adoção de estratégias integradas de prevenção, com foco no fortalecimento imunológico desde as fases iniciais da vida, torna-se essencial. Isso inclui o manejo adequado dos desafios respiratórios, a suplementação nutricional voltada à imunocompetência e a implementação de protocolos sanitários bem estruturados ao longo da fase de cria. Quando aplicadas de forma consistente, essas medidas contribuem para reduzir a incidência de doenças subclínicas, melhorar o desempenho dos animais, favorecer a expressão do potencial genético e, consequentemente, elevar a produtividade futura das vacas.

Em um sistema cada vez mais orientado por dados e eficiência, ignorar doenças subclínicas pode significar perdas silenciosas ao longo de toda a vida produtiva do animal. Identificar, prevenir e controlar a doença respiratória bovina desde a fase de cria é uma forma concreta de proteger o investimento feito nas futuras matrizes do rebanho.

*Gustavo Sena Lopes, médico-veterinário, coordenador de Território Pecuária da Biogénesis Bagó em Mato Grosso

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