Brincadeiras, descobertas e encontros com os amigos fazem parte do cotidiano infantil, muitas vezes acompanhados de risadas. Com a chegada do Dia das Crianças, celebrado em 12 de outubro, pesquisas ajudam a compreender a presença do riso nessa fase da vida. Os resultados indicam uma tendência de maior frequência de risadas entre os mais jovens, embora a idade e o contexto influenciem essa expressão.
Um dos estudos foi publicado em 2002 na revista científica Perceptual and Motor Skills. Mark Chapell e colaboradores observaram 10.419 pessoas, entre crianças, adolescentes, adultos e idosos, em ambientes públicos. Os pesquisadores encontraram, de modo geral, maior frequência de riso entre os mais jovens do que entre os mais velhos. O trabalho não estabeleceu quantas vezes crianças e adultos riem por dia.
Outra investigação, publicada em 2019 na revista Frontiers in Psychology, analisou o cotidiano de crianças de 3 a 5 anos em uma escola de educação infantil na Suécia. Durante 20,5 horas de registros, os pesquisadores Asta Cekaite e Mats Andrén identificaram 1.038 episódios de riso. Desse total, 891 partiram das crianças e 147 dos adultos. Entre as risadas infantis, 87% eram dirigidas a outras crianças, mostrando a presença do riso nas relações entre colegas.
Os autores ressaltam que havia mais crianças do que adultos no ambiente. Por isso, o maior número de risadas infantis não permite concluir que cada criança ria mais frequentemente do que cada adulto. O estudo contribui para compreender como o riso participa das brincadeiras e das experiências compartilhadas na infância.
Os sorrisos também foram investigados por Chapell em uma pesquisa publicada em 1997. Ao observar 15.824 pessoas de diferentes faixas etárias, o pesquisador encontrou uma diminuição estatisticamente significativa da frequência de sorrisos em ambientes públicos conforme a idade aumentava. Embora sorrir e rir sejam comportamentos distintos, os trabalhos ajudam a discutir como essas expressões variam ao longo da vida.
Para a risoterapeuta Gabi Roncatti, idealizadora do projeto Rumo ao Riso, valorizar a alegria na infância significa oferecer oportunidades para brincar, imaginar e compartilhar momentos de leveza. O projeto leva risoterapia e ações de humanização hospitalar a pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde.
“As crianças costumam expressar a alegria de forma espontânea, nas brincadeiras, na imaginação e nos momentos de convivência. É importante estimular essas oportunidades para que elas possam crescer com mais leveza e felicidade. Também precisamos estar atentos quando uma criança apresenta mudanças no comportamento, deixa de brincar ou perde o interesse por atividades de que gostava. Nessas situações, é importante acolher e, quando necessário, buscar orientação profissional. O riso é importante para todos e merece espaço no cotidiano das crianças”, destaca Gabi.
A perspectiva da risoterapeuta se soma à discussão sobre o espaço da alegria na infância. As pesquisas citadas, entretanto, não estabelecem médias diárias de risadas ou sorrisos, nem permitem avaliar a saúde de uma criança apenas pela frequência com que ela ri.
Neste Dia das Crianças, o convite é valorizar momentos de brincadeira e convivência. Na escola sueca estudada, o riso circulou principalmente entre as próprias crianças, acompanhando suas interações. Para Gabi, oferecer espaço para essas experiências é uma forma de cultivar a alegria no cotidiano infantil.
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