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Terça-feira, 01 de Setembro de 2026

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Enem 2026: como organizar os estudos na reta final e evitar erros que podem comprometer o desempenho

Professor de Português e Produção Textual do Colégio Presbiteriano Mackenzie Palmas reúne orientações sobre planejamento, simulados, redação, controle da ansiedade e estratégias para as últimas semanas antes da prova

Enem 2026: como organizar os estudos na reta final e evitar erros que podem comprometer o  desempenho
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*Rodrigo Fernandes, professor de Português e Produção Textual do Colégio Presbiteriano Mackenzie Palmas (CPMP)

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é uma das principais portas de entrada para o ensino superior no Brasil. Realizado anualmente, o exame pode ser feito por estudantes que estão concluindo ou já concluíram o ensino médio e é utilizado em diferentes processos de acesso às universidades. Em 2026, as provas serão aplicadas nos dias 8 e 15 de novembro, dois domingos consecutivos. Com pouco menos de três meses até o primeiro dia de prova, o momento exige uma mudança na forma de estudar: mais do que tentar absorver novos conteúdos, é hora de transformar em pontos aquilo que já foi aprendido.

O erro mais comum na reta final é querer recomeçar. Ao perceber que o tempo encurtou, muitos estudantes decidem voltar ao início da apostila e revisar todo o conteúdo novamente, do zero. Essa estratégia tende a ser pouco eficiente. Doze semanas não comportam três anos de matéria, e a tentativa quase sempre termina em frustração, com a sensação de que nada foi realmente fixado. O que funciona, nessa altura, é fazer escolhas mais assertivas.

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Planejamento: revisar pelo erro, não pelo gosto
A escolha do que revisar precisa partir de um diagnóstico, e os melhores indicadores estão nos simulados e nas provas anteriores já resolvidas pelo estudante. Vale separar as questões erradas e agrupá-las por assunto. Em pouco tempo, aparece um padrão: em geral, um número pequeno de temas responde pela maior parte dos erros. São eles que merecem prioridade nas primeiras semanas de revisão.

Há também um segundo critério, tão importante quanto o primeiro: a recorrência. O Enem mantém um perfil relativamente estável e cobra, ano após ano, grandes eixos de conhecimento. Ecologia e química ambiental, funções e proporcionalidade, República brasileira e questões agrárias, além da leitura de gráficos e tabelas, aparecem com frequência. Estudar por recorrência não é apostar em tendências, mas reconhecer o que a própria prova já demonstrou valorizar.

Na prática, uma semana bem planejada costuma alternar três frentes: revisão de conteúdo com resumo próprio, resolução de questões sobre o assunto revisado e correção atenta do que foi feito. Estudar sem resolver questões pode criar uma falsa sensação de domínio. Resolver questões sem corrigi-las com calma, por outro lado, desperdiça uma das partes mais valiosas do processo.


Simulados: treino de resistência, não só de conteúdo
Simulado feito pela metade, em dois dias e sem cronômetro, oferece uma medida limitada da preparação. O Enem exige cinco horas e meia de concentração no primeiro domingo e cinco horas no segundo, sempre à tarde, quando o corpo naturalmente pede descanso. Essa resistência também precisa ser treinada: fazendo provas completas, no mesmo horário da aplicação, sem consulta e sem pausas longas.

O maior ganho, porém, vem depois. A correção é o momento em que o simulado deixa de ser apenas uma nota e se transforma em informação. Convém anotar, para cada erro, se ele ocorreu por desconhecimento do conteúdo, leitura apressada do enunciado ou falta de tempo. As soluções são diferentes em cada caso, e confundi-las faz o estudante estudar mais e melhorar menos.


Redação: constância vale mais do que intensidade
Escrever uma redação por semana, com correção, produz mais efeito do que escrever cinco na véspera. O texto do Enem tem uma estrutura relativamente previsível, e essa característica favorece quem treina: tese clara na introdução, dois parágrafos de desenvolvimento com argumento e comprovação e conclusão com proposta de intervenção detalhada, indicando agente, ação, meio, finalidade e detalhamento.

O repertório merece atenção especial. Não é preciso colecionar dezenas de citações, mas dominar algumas referências e saber aplicá-las. Um repertório esvaziado de sentido, inserido no texto apenas para preencher linhas, pode prejudicar a argumentação. Um dado do IBGE bem articulado ao argumento, um artigo da Constituição citado no lugar certo ou uma referência histórica que dialogue com o tema valem mais do que uma frase de efeito atribuída a um filósofo qualquer.


Ansiedade e sono: o que ninguém deveria negociar
Na reta final, é comum ver estudantes cortando horas de sono para ganhar tempo de estudo. A troca é ruim. A memória se consolida durante o sono, e um cérebro privado de descanso pode apresentar mais dificuldade para ler, interpretar e resolver questões que seriam dominadas em condições normais. Dormir bem, nesse período, é parte do método de estudo, não uma concessão à preguiça.

A ansiedade, por sua vez, nem sempre está relacionada ao conteúdo. Muitas vezes, vem da comparação. Redes sociais cheias de cronogramas alheios, relatos de dez horas diárias de estudo e notas de simulados sempre altas podem gerar insegurança. Cada trajetória tem seu ponto de partida, e o desempenho de outra pessoa não determina o que é possível alcançar dentro da própria rotina.


Erros que custam caro nas últimas semanas
Alguns tropeços se repetem todos os anos. Abandonar completamente as disciplinas com as quais se tem menos afinidade, na esperança de compensar o desempenho nas demais, é um deles. Como cada área tem seu peso na composição das notas, um desempenho muito baixo pode prejudicar o resultado final.

Estudar até a madrugada da véspera é outro erro, porque o cansaço acumulado pode chegar ao domingo em forma de desatenção. Há ainda quem treine apenas o conteúdo e nunca pratique o preenchimento do cartão-resposta, descobrindo tarde demais que transferir 90 alternativas também consome tempo. Reservar os últimos 15 minutos de cada prova para essa tarefa é uma decisão simples que pode evitar perdas desnecessárias.


Dicas para a reta final
Para controlar a ansiedade no dia da prova: chegue cedo e evite conversar sobre conteúdo na fila. Comentários de última hora podem gerar dúvidas e insegurança. Se o nervosismo aparecer durante a prova, pare por alguns segundos, respire devagar, inspirando pelo nariz e soltando o ar lentamente pela boca, e volte para uma questão que já sabe resolver. Recuperar a sensação de controle pode ser mais eficaz do que insistir na questão que travou.

Para eliminar alternativas com segurança: comece descartando as opções extremas, aquelas com palavras como “sempre”, “nunca”, “todos” ou “exclusivamente”, que exigem atenção especial por fazerem afirmações absolutas. Elimine também as que estão corretas em si mesmas, mas não respondem ao que foi perguntado, um dos disfarces frequentes em questões de prova. Restando duas alternativas, releia o comando da questão: a diferença entre elas pode estar em uma palavra do enunciado que passou despercebida.

Para chegar à alternativa correta com mais frequência: leia primeiro a pergunta e depois o texto de apoio. Sabendo o que se procura, a leitura pode ficar mais rápida e dirigida. Marque no caderno o verbo do comando, identificando se ele pede para identificar, comparar, concluir ou justificar, porque isso ajuda a definir o tipo de resposta esperada. Evite trocar uma marcação apenas por insegurança: uma primeira escolha feita com raciocínio pode ser mais segura do que uma revisão feita no susto.


Para interpretar textos com mais precisão: toda questão de interpretação pede atenção ao que está no texto, e não apenas ao que se pensa sobre o assunto. Sublinhe a tese e as palavras de ligação, como “entretanto”, “portanto” e “embora”, porque elas ajudam a revelar a direção do argumento. Em charges, tirinhas e propagandas, observe a relação entre imagem e texto verbal, já que o sentido costuma nascer justamente desse encontro. Desconfie também de alternativas que ampliam demais a ideia apresentada pelo autor: o exagero pode indicar uma interpretação equivocada.

 

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Isabel Rizzo

Publicado por:

Isabel Rizzo

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