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Quarta-feira, 28 de Outubro de 2026

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Manejo integrado de doenças no cafeeiro: efeito do silício no controle da cercosporiose chega a 63,2%

Pesquisa com três variedades identificou camada de cera mais desenvolvida nas folhas tratadas e menor intensidade da doença no Catuaí

Manejo integrado de doenças no cafeeiro: efeito do silício no controle da cercosporiose chega a 63,2%
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A cercosporiose, também conhecida como mancha-de-olho-pardo, pode comprometer o desenvolvimento de mudas do cafeeiro, provocando desfolha, atraso no crescimento e perda de vigor das plantas. Segundo estudos realizados por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras (UFLA) e da Epamig o fornecimento de silício pode contribuir para aumentar a resistência do cafeeiro à doença, inclusive por meio de alterações na própria estrutura das folhas.

A pesquisa avaliou mudas bem nutridas das variedades Catuaí Vermelho IAC 99, Mundo Novo IAC 379/19 e Icatu IAC 2942, com e sem aplicação de silicato de cálcio no substrato. No Catuaí, as plantas tratadas apresentaram 63,2% menos folhas lesionadas e 43% menos lesões por planta em comparação às plantas que não receberam silicato. Para evitar a influência do nutriente cálcio no resultado final, o elemento foi fornecido via carbonato de cálcio, mantendo-se o mesmo teor em todas as plantas. Assim, foi possível comprovar que o efeito observado foi decorrente somente do silício.

Segundo a engenheira agrônoma e doutora em Ciência do Solo e Nutrição de Plantas, Adélia Aziz Alexandre Pozza, uma das autoras do trabalho, os resultados ajudaram a mostrar que o efeito do silício não está relacionado apenas à nutrição da planta, mas também a mudanças na morfologia das folhas.

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“Nas plantas tratadas, observamos uma camada de cera mais desenvolvida na parte inferior das folhas. Essa estrutura pode funcionar como uma barreira adicional, dificultando algumas das etapas necessárias para o progresso da doença”, explica.

A microscopia eletrônica mostrou que essa camada de cera era mais espessa nas plantas que receberam silício, especialmente na variedade Catuaí. Em algumas amostras, a cera chegou a cobrir parcialmente os estômatos, enquanto nas plantas não tratadas essas estruturas estavam mais expostas.

Os pesquisadores apontam que essa mudança pode tornar a superfície da folha mais hidrofóbica, reduzindo a formação do filme de água necessário para processos como germinação e penetração do fungo. O trabalho também identificou maior presença e distribuição mais uniforme de silício na face inferior das folhas tratadas.

Nutrição também faz parte do manejo da sanidade

Para o especialista em Fertilidade do Solo e Nutrição de Plantas e gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Mercado da Agronelli Soluções, Maurício Komori, o estudo ajuda a ampliar a visão sobre o papel da nutrição no manejo do cafeeiro.

“Quando falamos em sanidade, é comum pensar primeiro no controle direto da doença. Mas a condição nutricional da planta também interfere na forma como ela responde aos estresses. O silício pode contribuir para o fortalecimento dos tecidos e para a formação de barreiras físicas que ajudam a planta a enfrentar melhor determinados desafios”, afirma.

No estudo, a resposta ao silício variou entre as três variedades. O Catuaí apresentou o efeito mais evidente, enquanto o Icatu, considerado mais resistente à cercosporiose, teve resposta menor à aplicação. Segundo os autores, isso indica que a reação ao silício também pode depender das características genéticas de cada material.

Komori ressalta que esse tipo de resultado não significa que o silício substitua as demais práticas de manejo da doença. O silício deve ser visto como parte de uma estratégia integrada. O manejo continua envolvendo escolha da variedade, equilíbrio nutricional, condições adequadas de cultivo, acompanhamento fitossanitário e aplicação de defensivos agrícolas. O diferencial do silício está em contribuir para o fortalecimento dos mecanismos naturais de defesa da planta, favorecendo maior tolerância aos estresses bióticos e abióticos. O benefício, portanto, está em oferecer à planta melhores condições para responder aos desafios do ambiente e expressar seu potencial produtivo de forma mais consistente”, explica.

Para Adélia, a pesquisa contribuiu justamente para mostrar como o silício pode atuar além da correção da acidez do solo ou da nutrição das plantas. “A formação de uma camada de cera mais desenvolvida e a maior presença de silício na superfície das folhas ajudam a explicar por que algumas plantas apresentaram menor intensidade da doença. É uma resposta estrutural da própria planta”, conclui.

Sobre o estudo

O trabalho “Efeito do Silício no Controle da Cercosporiose em Três Variedades de Cafeeiro” foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Lavras, da Epamig e instituições parceiras. Foram avaliadas mudas de Catuaí, Mundo Novo e Icatu, com e sem aplicação de silicato de cálcio. Além da ocorrência da doença, os pesquisadores analisaram as folhas por microscopia eletrônica de varredura e microanálise de raios X para investigar os mecanismos envolvidos na resposta ao silício.

Sobre o Grupo Agronelli  

O Grupo Agronelli é um conglomerado de empresas brasileiras com atuação diversificada e forte compromisso com o desenvolvimento sustentável e a inovação no setor agrícola e agroindustrial. Fundado com a missão de transformar o mundo ao seu redor, por meio de práticas responsáveis e soluções eficientes, o grupo se destaca por seu impacto positivo na produtividade e na sustentabilidade do setor. Com empresas especializadas que oferecem desde tecnologias de manejo ambiental até soluções em insumos agrícolas e consultoria técnica, o Grupo Agronelli consolida-se como um parceiro estratégico para o desenvolvimento econômico e social das regiões onde atua. Engloba as empresas: Agronelli Soluções, que desenvolve e fornece condicionadores, corretivos e fertilizantes de solo; Porto Real, fábrica de bebidas; Nobre, voltada à captação, envase e comercialização de água mineral; Nelltech, voltada para soluções em tecnologia da informação, otimização de sistemas e processos; e Agronelli Fazendas, um complexo com nove fazendas destinadas à pecuária de leite e de corte, agricultura e desenvolvimento de soluções sustentáveis no campo. Além disso, o Instituto Agronelli de Desenvolvimento Social atua no desenvolvimento e execução de projetos voltados à educação e ao desenvolvimento socioambiental.

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