A cada ano, Goiás deve registrar cerca 2.150 novos casos de câncer de mama, segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028. A taxa de incidência no estado está acima da média nacional, e a doença segue como a neoplasia mais comum entre as mulheres goianas. No Brasil, a projeção é de quase 80 mil novos casos por ano no mesmo período, o equivalente a cerca de 30% de todos os diagnósticos de câncer entre mulheres.
Segundo o mastologista cooperado da Unimed Goiânia e professor titular da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), Dr. Ruffo de Freitas Junior, as últimas duas décadas trouxeram uma mudança significativa no entendimento sobre o câncer de mama, impactando diretamente o diagnóstico e o tratamento da doença. "Hoje tratamos lesões muito menores do que há duas décadas, principalmente dentro do sistema Unimed, onde equipamentos como mamografia, ultrassonografia e ressonância magnética das mamas mudaram por completo esse cenário. O entendimento das alterações genéticas também permite identificar mulheres com maior risco, que precisam de um rastreamento mais frequente, separando-as daquelas que podem fazer mamografia a cada dois anos", explica.
Rastreamento: o foco da campanha
Para o mastologista, a campanha de outubro chama atenção justamente para o comportamento que mais salva vidas, o rastreamento regular. "As pessoas acham que câncer de mama só acontece em quem tem história familiar. Na verdade, aproximadamente 70% dos casos acontecem em mulheres que nunca tiveram ninguém na família com a doença", afirma.
Toda mulher a partir dos 40 anos deve fazer mamografia anualmente, segundo o médico. "A taxa de radiação da mamografia é menor que a de um raio-x de tórax, e mesmo sendo cumulativa, o risco de qualquer alteração decorrente dela é muito inferior ao benefício de uma detecção precoce. Mulheres com mamas densas devem priorizar a mamografia digital ou com tomossíntese, e aquelas com risco aumentado precisam associar a ressonância magnética das mamas ao acompanhamento", orienta.
Um estudo conduzido pela UFG com mulheres goianas mostra que hábitos de vida também entram nessa conta. A alimentação foi apontada como o principal fator modificável de redução de risco, com destaque para a dieta tradicional goiana, rica em arroz, feijão, frutas, verduras e carnes magras, além da prática regular de atividade física e do controle do consumo de álcool. "Mulheres que fazem exercício físico tendem a ter uma chance menor de desenvolver câncer de mama do que as sedentárias. O controle do peso também é um fator importante, assim como o acompanhamento adequado para quem faz terapia hormonal na menopausa", completa.
Nem toda paciente precisa de quimioterapia
Muitas pessoas ainda associam o tratamento do câncer de mama exclusivamente à quimioterapia, mas o médico explica que esse cenário mudou. "Certamente a quimioterapia é o tratamento que mais causa efeitos colaterais, e é extremamente importante em vários casos. Mas existem plataformas genéticas, como o Oncotype DX e o Mammaprint, que permitem, com segurança, deixar de fazer quimioterapia em aproximadamente 40% das pacientes, evitando efeitos colaterais sem reduzir a eficácia do tratamento", afirma.
Entre as alternativas que se somaram à quimioterapia nos últimos anos estão a imunoterapia, as terapias-alvo e os chamados conjugados anticorpo-droga, que entregam o quimioterápico diretamente dentro da célula tumoral. "Isso mudou o prognóstico até de tumores antes considerados mais agressivos, como os casos HER2 positivo e triplo-negativo. Hoje conseguimos uma taxa de cura altíssima para uma doença que, no passado, era difícil de controlar", completa.
Cirurgias menos invasivas
A evolução no diagnóstico também impactou o tratamento cirúrgico. Segundo Dr. Ruffo, a retirada completa da mama deixou de ser necessária na maioria dos casos. "Estudos conduzidos ao longo de mais de 25 anos mostraram que a retirada completa da mama não traz benefício adicional em relação a cirurgias mais conservadoras associadas à radioterapia. Hoje conseguimos identificar apenas o linfonodo sentinela, reduzindo a cirurgia e as complicações de motricidade e força no braço", detalha.
Técnicas de oncoplastia e reconstrução mamária também evoluíram, permitindo, segundo ele, "além do tratamento do câncer, entregar à mulher um resultado estético muito mais adequado, reduzindo o estigma associado à doença". A radioterapia também mudou: tratamentos que antes duravam de cinco a seis semanas hoje podem ser concluídos em uma semana, com equipamentos capazes de concentrar a radiação na mama e preservar pulmão e coração.
A prevenção como atitude contínua
Neste ano, a Unimed Goiânia leva ao Outubro Rosa e ao Novembro Azul uma campanha que une os dois movimentos em torno de uma mesma ideia: a prevenção não precisa caber em apenas dois meses do calendário. A saúde costuma dar sinais, mas a proposta da cooperativa é reforçar que não é preciso esperar por eles para prestar atenção. Com peças que transformam elementos do cotidiano, como um semáforo, uma xícara de café e uma formação de nuvens, em diferentes representações desses sinais, a campanha convida à reflexão: "Sua saúde não precisa de um sinal para receber atenção." Prevenção também é cuidar antes, conhecer os próprios riscos, manter hábitos saudáveis e acompanhar a saúde de perto.
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