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Quinta-feira, 08 de Outubro de 2026

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Queda de cabelo pode sinalizar diferentes tipos de alopecia e exige diagnóstico correto

Saiba até quando a queda de cabelo é normal e quais sinais indicam que é hora de procurar um especialista

Queda de cabelo pode sinalizar diferentes tipos de alopecia e exige diagnóstico correto
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Ver alguns fios de cabelo espalhados pela casa, presos à escova ou descendo pelo ralo durante o banho é normal. O cabelo passa naturalmente por ciclos de crescimento, repouso e queda. A situação começa a mudar quando, em vez de alguns fios, aparecem tufos, o volume diminui, o couro cabeludo fica mais aparente ou surgem falhas em determinadas regiões.

Segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), é esperado que uma pessoa perca, em média, de 100 a 200 fios por dia, embora essa quantidade possa variar de acordo com características individuais. Mais importante do que contar fios, portanto, é perceber mudanças no padrão habitual de queda.

Quando isso acontece, o problema pode ir além da renovação natural do cabelo. Alopecia androgenética, alopecia areata, eflúvio telógeno e outros tipos de queda capilar possuem causas e evoluções diferentes e, por isso, também exigem abordagens específicas.

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Para o dermatologista, especialista em tricologia e implante capilar, Domingos Sávio Coelho, identificar corretamente a origem da queda é fundamental antes de iniciar qualquer tratamento. “Existem vários tipos de alopecia, e é isso que a gente precisa estudar e averiguar para fazer o melhor tratamento possível”, afirma.

Nem toda queda é calvície

Entre as condições mais conhecidas está a alopecia androgenética, popularmente chamada de calvície. De origem principalmente genética e hormonal, ela provoca uma miniaturização progressiva dos folículos capilares. Com o passar do tempo, os fios ficam mais finos, curtos e menos numerosos.

Embora seja frequentemente associada aos homens, a condição também atinge mulheres. Nelas, um dos sinais comuns é a redução gradual da densidade dos cabelos, principalmente na região superior da cabeça, com maior exposição do couro cabeludo.

Já a alopecia areata tem uma origem diferente. Trata-se de uma doença autoimune, na qual o sistema imunológico passa a atacar os folículos pilosos. Segundo a SBD, a condição acomete cerca de 2% da população mundial e pode aparecer em qualquer fase da vida.

A perda costuma ocorrer de maneira súbita, formando áreas sem cabelos ou pelos. Em alguns pacientes, aparecem pequenas falhas no couro cabeludo. Em quadros mais extensos, pode haver perda de todos os cabelos, chamada alopecia areata total, ou até dos pelos de todo o corpo, na chamada alopecia areata universal.

Outra característica é a imprevisibilidade. O cabelo pode voltar a crescer em determinada região e, posteriormente, ocorrer um novo episódio de queda.

Estresse pode ser gatilho, mas não explica tudo

Situações intensas de estresse também podem estar relacionadas a episódios de queda capilar, mas não devem ser interpretadas automaticamente como a causa do problema.

Na alopecia areata, por exemplo, o estresse pode funcionar como um dos possíveis gatilhos para uma crise, assim como infecções e outras alterações que interfiram no sistema imunológico. Isso não significa, porém, que a doença seja simplesmente emocional.

Há ainda o eflúvio telógeno, condição caracterizada por um aumento importante da queda diária dos fios. Segundo a SBD, ela pode aparecer alguns meses depois de situações como infecções, febre alta, parto, cirurgias, dietas muito restritivas, doenças metabólicas e períodos de estresse.

É justamente a diversidade de causas que, segundo Domingos, torna a avaliação especializada essencial.

Casos conhecidos chamaram atenção para o problema

Nos últimos anos, relatos de mulheres conhecidas ajudaram a ampliar a discussão sobre a alopecia.

A influenciadora Virgínia Fonseca revelou em abril deste ano que voltou a apresentar alopecia areata, condição que ela já havia enfrentado anteriormente. Já a cantora Maiara, da dupla com Maraisa, falou publicamente sobre o diagnóstico de alopecia androgenética e sobre as mudanças que a condição provocou em seus cabelos.

Os dois casos ajudam a mostrar que, apesar de receberem o mesmo nome genérico de alopecia, as condições têm origens e características bastante diferentes.

Maiara é acompanhada por Domingos Coelho. Segundo o dermatologista, no caso da cantora existe uma importante predisposição hereditária. “Existe um quadro genético na família que leva essa alopecia androgenética”, explica o médico.

Quando a queda deve preocupar

Mais do que observar alguns fios no chão ou na escova, alguns sinais merecem atenção: queda persistente em quantidade maior do que o habitual, tufos no banho ou no travesseiro, redução perceptível do volume, fios cada vez mais finos, aparecimento de falhas, aumento das entradas ou maior exposição do couro cabeludo.

A mudança no padrão individual é um dos principais indicativos de que é necessário investigar.

Outro cuidado é evitar a automedicação ou o uso de produtos apenas porque funcionaram para outra pessoa. Medicamentos, vitaminas, loções e procedimentos indicados sem que a causa tenha sido estabelecida podem não surtir efeito e ainda retardar o diagnóstico correto.

O tratamento depende do tipo de alopecia, da intensidade da queda, do estágio em que o problema se encontra e das características de cada paciente.

Impacto também pode ser emocional

A perda de cabelo não se restringe à saúde do couro cabeludo. Principalmente quando ocorre de maneira rápida ou extensa, pode interferir diretamente na autoestima, na autoimagem e até na vida social.

Para muitas pessoas, o cabelo faz parte da identidade e da forma como se reconhecem diante do espelho. Por isso, quadros de alopecia podem gerar sofrimento emocional, insegurança e mudanças na forma de se relacionar.

Para Domingos, olhar apenas para o fio sem compreender a história por trás da queda é insuficiente. A avaliação deve buscar a origem do problema e definir uma estratégia individualizada para cada paciente.

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

Kaísa Romagnoli é jornalista com sólida experiência em comunicação estratégica e produção de conteúdo.

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