O Brasil reúne condições para liderar a construção de um indicador internacional capaz de mensurar a sustentabilidade da agricultura com base em critérios científicos reconhecidos globalmente. A avaliação foi feita pelo representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no Brasil, Jorge Meza, durante o ABMRA Ideia Café, promovido pela Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA). No encontro, que debateu o papel da comunicação na valorização do agronegócio brasileiro, ele também destacou que o país já superou as metas projetadas pela FAO para a produção de alimentos, consolidando-se como um dos principais protagonistas da segurança alimentar mundial.
Ao abordar o desempenho do agro brasileiro, Meza lembrou que, enquanto a FAO projetava um crescimento de aproximadamente 70% na produção de alimentos, o Brasil registrou um avanço de cerca de 120% entre 2005 e 2025, acompanhado por um aumento expressivo da capacidade exportadora. Segundo ele, esse resultado credencia o país a assumir uma posição de protagonismo na construção de padrões internacionais para avaliar a sustentabilidade da atividade agropecuária.
Nesse contexto, Meza defendeu que o Brasil apresente aos países-membros da FAO a proposta de criação de um sistema internacional de indicadores capaz de mensurar a sustentabilidade da agricultura com base em critérios reconhecidos globalmente. Segundo ele, a iniciativa daria maior transparência às informações e permitiria comparar os avanços dos países a partir de uma metodologia comum.
"Hoje já contamos com metodologias internacionalmente reconhecidas para medir indicadores como a fome. O Brasil pode liderar a construção de um sistema semelhante para mensurar a sustentabilidade da agricultura. Com indicadores aceitos internacionalmente e baseados em evidências científicas, cada país poderá demonstrar, com transparência, a evolução de suas políticas e de seus sistemas de produção", recomendou.
Segundo o representante da FAO, a adoção de métricas padronizadas contribuiria para responder às crescentes demandas de consumidores, governos e mercados internacionais, cada vez mais interessados em compreender a origem dos alimentos e os impactos ambientais associados à sua produção. Para ele, uma metodologia reconhecida internacionalmente fortalece a credibilidade das informações e reduz o espaço para questionamentos sem base técnica.
"A narrativa precisa refletir aquilo que efetivamente existe. Ela não pode ser construída sobre estudos isolados ou informações pontuais, mas sobre uma base científica sólida, formada por governo, academia, setor privado e comunidade científica", afirmou.
Para o presidente da ABMRA, Ricardo Nicodemos, o desafio agora é transformar os avanços do agronegócio em conhecimento acessível à sociedade, reforçando a contribuição do setor para o desenvolvimento do país.
"O agro brasileiro acumulou avanços extraordinários em produtividade, inovação, sustentabilidade e responsabilidade social. A comunicação tem o papel de transformar esses resultados em conhecimento para a sociedade, valorizando as boas práticas e mostrando, com transparência e evidências, a contribuição do setor para o desenvolvimento do país e para a segurança alimentar mundial", analisou.
Segundo o diretor do ABMRA Ideia Café, Júlio Cargnino, encontros como o realizado nesta quarta-feira ampliam o diálogo entre especialistas e instituições sobre temas estratégicos para o futuro do agronegócio.
"Receber o representante da FAO, Jorge Meza, no ABMRA Ideia Café reforça a importância de promover debates fundamentados em ciência e evidências. Em um cenário marcado pela desinformação, criar espaços para discutir comunicação, segurança alimentar e sustentabilidade é essencial para fortalecer uma narrativa baseada em fatos e aproximar o agro da sociedade", afirmou.
Jorge Meza também lembrou que, embora o mundo produza alimentos suficientes para toda a população, cerca de 7,8% das pessoas ainda vivem em situação de subalimentação. Segundo ele, esse cenário reforça o papel estratégico do Brasil para a segurança alimentar global e evidencia que o desafio atual vai além da produção, envolvendo também distribuição, acesso aos alimentos e a transformação dos sistemas agroalimentares.
Brasil fora do Mapa da Fome
Durante o encontro, Jorge Meza também destacou que o Brasil voltou a deixar o Mapa da Fome da FAO. Segundo ele, atualmente menos de 2,5% da população brasileira enfrenta a fome, enquanto a insegurança alimentar grave atinge cerca de 0,6% da população. Para o representante da Organização, esse resultado reflete a capacidade produtiva do país aliada às políticas públicas de acesso aos alimentos.
Sobre a ABMRA
A Associação Brasileira de Marketing Rural e Agro (ABMRA) é a única entidade voltada exclusivamente ao marketing e à comunicação do Agro. Fundada em 1979, a ABMRA completou 47 anos em junho de 2026.
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