A próxima empresa a crescer mais do que a concorrência talvez não tenha contratado mais vendedores, inaugurado novas unidades ou investido mais em publicidade. Ela apenas tomou a decisão certa alguns minutos antes.
Esse movimento ganha força com o avanço do Agentic Commerce, modelo em que agentes de inteligência artificial pesquisam fornecedores, comparam propostas, negociam condições e executam compras seguindo critérios definidos por pessoas e empresas. Mais do que automatizar processos, a tecnologia reduz o tempo entre identificar uma oportunidade e agir.
A McKinsey estima que o Agentic Commerce poderá movimentar entre US$ 3 trilhões e US$ 5 trilhões em transações globais até 2030, indicando que agentes inteligentes devem assumir um papel cada vez mais relevante nas relações comerciais.
Para Marcos Koenigkan, fundador do Think Tank Mercado & Opinião, a principal mudança não está na tecnologia, mas na forma como ela altera a dinâmica dos negócios. "As organizações passaram décadas competindo por escala, estrutura e capacidade de execução. Agora, começam a competir também pela velocidade das decisões. Ele reduz o tempo entre analisar informações e agir. Quem transformar conhecimento em estratégia com mais rapidez terá uma vantagem difícil de alcançar".
Na prática, a tecnologia passa a assumir tarefas operacionais, enquanto a estratégia ganha ainda mais importância nas decisões de negócio. À medida que agentes inteligentes assumem tarefas operacionais, cresce a importância da capacidade humana de definir prioridades, interpretar informações e orientar decisões estratégicas.
Koenigkan acredita que a inteligência artificial inaugura uma nova etapa na forma como as empresas competem. "Tecnologia nunca substituiu estratégia, ela apenas muda a velocidade com que as decisões podem ser tomadas. As empresas que entenderem isso primeiro terão mais condições de crescer do que aquelas que enxergarem a inteligência artificial apenas como uma ferramenta para ganhar eficiência".
Para Paulo Motta, sócio do Mercado & Opinião em São Paulo, o desafio é preparar as empresas para uma nova dinâmica de negócios, em que agentes de inteligência artificial passam a participar das decisões comerciais. "A inteligência artificial amplia a capacidade de resposta das empresas, mas não substitui a experiência de quem conhece o mercado. As organizações que conseguirem unir estratégia, capacidade de adaptação e velocidade estarão mais preparadas para crescer em um ambiente de mudanças cada vez mais rápidas".
Esse avanço ganhou espaço na agenda de executivos. O tema será debatido no próximo jantar promovido pelo Mercado & Opinião, em 28 de julho, em São Paulo, que reunirá Fernando Yunes, CEO do Mercado Livre, Guilherme Horn, CEO do WhatsApp no Brasil, César Gon, cofundador da CI&T, e Júnior Borneli, fundador da StartSe, para discutir os impactos dessa transformação na forma como empresas compram, vendem e crescem.
Durante muitos anos, vantagem competitiva significou produzir mais, vender mais ou investir mais. O Agentic Commerce acrescenta uma nova variável a essa equação. No fim, talvez a próxima empresa a ultrapassar seus concorrentes não seja a que investiu mais ou cresceu mais rápido. Seja apenas aquela que aprendeu a decidir antes das outras.
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