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Quinta-feira, 05 de Novembro de 2026

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Artesanato pode ajudar a desacelerar a rotina e favorecer o bem-estar emocional

Atividades manuais estimulam a concentração e a criatividade

Artesanato pode ajudar a desacelerar a rotina e favorecer o bem-estar emocional
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Em meio à sobrecarga de informações, às múltiplas tarefas e à dificuldade de desacelerar, encontrar momentos de concentração em uma única atividade pode fazer diferença na rotina. Práticas como costura, bordado, pintura e outras formas de artesanato oferecem a possibilidade de direcionar a atenção para um processo criativo, acompanhar o desenvolvimento de uma peça e experimentar um ritmo diferente daquele imposto pelas demandas do dia a dia.

“Vivemos em uma sociedade que nos estimula a fazer várias coisas ao mesmo tempo, responder rapidamente, cumprir tarefas e estar constantemente conectados. Nesse contexto, atividades como o artesanato podem representar uma experiência importante de desaceleração. Ao trabalhar com as mãos, a pessoa direciona sua atenção para uma atividade concreta, acompanha cada etapa da criação e passa a experimentar um ritmo diferente daquele imposto pelas demandas cotidianas. É uma oportunidade de sair, ainda que por alguns instantes, do excesso de estímulos e se concentrar no que está acontecendo no presente.", resume Dr Jorge Guedes, psicanalista e doutor em neuropsicologia, neurociência, e psicoterapia.

Além da produção de objetos, as atividades manuais podem proporcionar experiências de expressão pessoal, aprendizado e convivência. Em oficinas coletivas, a troca de conhecimentos e o contato com outras pessoas também podem contribuir para a construção de vínculos sociais e para a sensação de pertencimento.

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Os efeitos, no entanto, não são iguais para todos. Embora atividades artísticas possam favorecer o bem-estar, elas não substituem o acompanhamento psicológico ou psiquiátrico quando necessário, e seus benefícios dependem das experiências e das condições de cada pessoa.

“Do ponto de vista do comportamento humano, o processo de criar também merece atenção. Escolher materiais, combinar elementos, experimentar possibilidades, lidar com pequenos erros e encontrar soluções são experiências que mobilizam a criatividade, a concentração e a capacidade de resolução de problemas. Além disso, transformar uma ideia em algo concreto pode proporcionar uma sensação de realização e fortalecer a percepção de que somos capazes de produzir, aprender e descobrir novas habilidades. Outro ponto interessante é que o artesanato permite resgatar uma relação mais prazerosa com o tempo. Diferentemente de muitas atividades da rotina, em que o resultado precisa ser imediato, o trabalho manual exige etapas, paciência e continuidade. Nem sempre é possível acelerar o processo, e talvez esteja justamente aí parte de seu valor: aprender a respeitar o próprio ritmo e compreender que nem tudo precisa ser feito com pressa ou ter uma finalidade produtiva", explica Dr. Jorge.

Para a designer de moda Fernanda Elias, 28, o contato com uma atividade manual tem ajudado a desacelerar o pensamento. Acostumada a trabalhar com criatividade e empreendedorismo, ela conta que a rotina profissional costuma deixá-la mentalmente agitada.

A mudança começou com as aulas de estamparia artesanal, realizadas em uma oficina gratuita no centro de São Paulo. “Sou uma pessoa muito agitada e trabalhar com criatividade, criação e empreendedorismo deixa minha mente ainda mais elétrica. As aulas me fazem simplesmente parar e estar presente. A cada segundo em que estou com o estilete na mão, me sinto concentrada, conectada, experienciando apenas aquele momento. Isso tem relaxado minha mente de forma imensurável. Sinto-me mais calma, mais paciente, admirando mais as imperfeições e entendendo que elas fazem parte da arte”, relata Fernanda Elias

A experiência de Fernanda ocorre em uma formação que reúne 25 participantes no CATe Central, na região central da capital. Realizada pelo Ateliê 11 em parceria com o programa Mãos e Mentes Paulistanas, da Prefeitura de São Paulo, a oficina utiliza a estamparia como ferramenta de aprendizado e criação.

Segundo Kizzi Kauana, coordenadora do projeto, a mudança na dinâmica do grupo tornou-se perceptível ao longo dos encontros. As participantes passaram a interagir mais, compartilhar experiências e incentivar a produção umas das outras.

“Além de aprenderem uma nova técnica, elas encontram na oficina um momento de relaxamento, criatividade e cuidado consigo mesmas. É inspirador acompanhar a evolução delas, ver as alunas ganhando confiança, compartilhando ideias, valorizando suas próprias produções e incentivando as colegas”, afirma Kizzi Kauana.

“Acredito que todas as práticas ligadas às artes contribuem para o bem estar emocional e auto estima e desenvolvimento pessoal das alunas. É notável que a maioria das participantes criam redes de amizade durante os encontros, a interação durante o curso fazem com que elas se ajudem, deem opinião, se incentivem e admirem a produção de suas colegas”, resume educador Eduardo Fugisse, que trabalha há cerca de cinco anos com oficinas de estamparia.

A experiência coletiva acrescenta outra dimensão à atividade manual. Além de aprender uma técnica, as participantes podem trocar referências, receber opiniões sobre suas criações e reconhecer a evolução do próprio trabalho. O ambiente de colaboração também permite que o aprendizado aconteça entre as próprias alunas.

“Não significa que o artesanato seja um tratamento para ansiedade, estresse ou outros problemas emocionais, mas ele pode funcionar como uma atividade de lazer e expressão pessoal, contribuindo para uma rotina com mais momentos de prazer, presença e equilíbrio. O importante é não transformar até mesmo o descanso em mais uma obrigação. A atividade precisa fazer sentido para a pessoa, ser agradável e respeitar suas possibilidades. Às vezes, permitir-se criar algo simplesmente pelo prazer de fazer já é uma mudança significativa na maneira como nos relacionamos com o cotidiano.””, finaliza o psicanalista Dr. Jorge Guedes.

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

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Jornalista - Kaísa Romagnoli -São Paulo/SP

Kaísa Romagnoli é jornalista com sólida experiência em comunicação estratégica e produção de conteúdo.

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