Por Kaísa Romagnoli
Barulhos altos, ambientes caóticos, mudanças inesperadas, excesso de estímulos visuais e toques inesperados. Por anos, essas situações me causaram desconforto, ansiedade e cansaço intenso, e eu não entendia exatamente por quê.
Receber o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 1, aos 38 anos de idade, foi, para mim, um momento de alívio e clareza. Durante muito tempo, convivi com sensibilidade intensa, perfeccionismo e foco profundo em detalhes, sem compreender plenamente minhas particularidades.
É a primeira vez que compartilho publicamente sobre o assunto. Talvez por isso, uma das frases que mais escuto desde que recebi o diagnóstico é: “Você nem parece autista.” Confesso que, no início, me incomodava. Com o tempo, porém, percebi que essa reação revela um equívoco comum: a ideia de que existe um “padrão” de comportamento autista. No TEA nível 1, as características podem ser sutis, quase invisíveis para quem observa superficialmente, mas têm impacto profundo na vida de quem as vivencia.
Saber que sou neurodivergente ajudou a reconhecer minhas forças e desafios. Passei a valorizar minha atenção aos detalhes, minha dedicação e minha capacidade de concentração, ao mesmo tempo em que adapto minha rotina para reduzir sobrecargas sensoriais e emocionais.
Essa compreensão também fortaleceu minha empatia e paciência, especialmente na criação do meu filho de 8 anos, que também é autista e TDHA. Entender o espectro me permite oferecer acolhimento, ajustar expectativas e celebrar diferenças sem julgamentos.
"Ah, agora todo mundo é autista!". Receber o diagnóstico não me define, mas me oferece um mapa mais claro para viver de maneira autêntica e consciente. É um convite à aceitação de quem realmente sou, minhas singularidades, talentos e desafios, que provam que o autismo não é um molde único, mas uma diversidade de formas de sentir e existir.
Comentários: