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Sexta-feira, 17 de Julho de 2026

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Crise silenciosa: enfermagem enfrenta sobrecarga e desvalorização enquanto sustenta o sistema de saúde brasileiro

No Mês da Enfermagem, especialistas alertam para a urgência de políticas públicas que valorizem a profissão e combatam o adoecimento físico e emocional da categoria

Crise silenciosa: enfermagem enfrenta sobrecarga e desvalorização enquanto sustenta o sistema de saúde brasileiro
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Mesmo após o pico da pandemia, que escancarou o papel vital da enfermagem no Brasil, os profissionais seguem enfrentando jornadas exaustivas, baixos salários, ambientes precários e escassa valorização institucional. No Mês da Enfermagem, celebrado em maio, a categoria pede mais do que homenagens: quer estrutura, reconhecimento e respeito. 

São os enfermeiros e técnicos de enfermagem que sustentam, na prática, boa parte do atendimento nos hospitais, unidades de saúde e serviços de urgência do país. Segundo dados recentes do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), mais de 70% da força de trabalho da saúde no Brasil é composta por profissionais da área, mas os índices de adoecimento psíquico e físico aumentaram consideravelmente nos últimos três anos.

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Para o advogado Matheus Gonçalves, especialista em Direito da Saúde e representante de causas ligadas à enfermagem, a situação é crítica.  "O que temos acompanhado é uma sobrecarga generalizada, agravada pela baixa remuneração e por condições de trabalho muitas vezes insalubres. E o mais grave: há uma negligência histórica com a escuta dessa categoria. Muitos profissionais adoecem em silêncio, por medo de retaliação ou por falta de canais institucionais de apoio", afirma Gonçalves. 
Além das longas jornadas e da pressão emocional, os profissionais de enfermagem enfrentam assédio moral, contratos irregulares e processos de judicialização cada vez mais frequentes. A criação e o cumprimento efetivo do piso salarial da enfermagem foi um marco importante, mas ainda encontra entraves práticos para sua plena aplicação. 
"O reconhecimento financeiro é fundamental, mas não é tudo. Falamos de uma categoria que precisa de proteção jurídica, condições dignas de trabalho, respeito nas relações institucionais e acolhimento real nas redes de saúde. Valorizar a enfermagem é cuidar da saúde pública", completa Matheus Gonçalves. 
Neste mês de maio, diversas entidades da área da saúde organizam atos, seminários e campanhas em todo o país. A pauta central é clara: a valorização da enfermagem não pode ser sazonal - precisa ser estruturante.

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Redação Brasília Geral -DF

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