Karol Romagnoli tem uma característica que irrita profundamente quem convive com ela: às vezes, ela não faz ideia do quanto é boa. Diante de uma mudança, sua primeira reação pode ser a insegurança. Ela pensa, repensa, imagina tudo o que pode dar errado e, não raramente, precisa de alguém dizendo: “Você consegue”. Então vai lá e mostra quão f*** ela é!
Foi assim tantas vezes que já deveria ter aprendido. Não aprendeu.
Talvez porque sua força nunca tenha vindo da ausência de medo, mas da capacidade de continuar apesar dele. Casou-se jovem, tornou-se mãe, enfrentou um grave problema de saúde durante a última gestação e atravessou outros momentos difíceis sem permitir que eles definissem sua história.
Aos 45, é jornalista, extremamente responsável, comprometida e daquelas profissionais que levam o trabalho a sério mesmo nos dias em que a vida resolve não colaborar. Também é dona de uma generosidade quase inconveniente. É o tipo de pessoa que pensa no outro antes de lembrar que também deveria guardar alguma coisa para si.
Mas nem tudo nessa trajetória é tão inspirador. Na infância, por exemplo, ostentava enormes cabelos ruivos, olhos pretos e pouquíssima paciência para uma irmã cinco anos mais nova que queria acompanhá-la em todos os lugares. Em Tupã, interior paulista, enquanto uma queria desesperadamente ficar perto da outra, a outra queria desesperadamente ficar em paz.
O tempo resolveu essa questão. Também resolveu outro pequeno equívoco: ela sonhava em ser professora e chegou a fazer magistério. Nunca exerceu. Considerando que hoje a família carinhosamente reconhece nela certa energia de “tia bruxa” com crianças, talvez tenha sido melhor assim. O jornalismo ganhou uma ótima profissional e algumas crianças foram poupadas.
Na carreira, aliás, aconteceu algo que resume perfeitamente sua personalidade. Durante muito tempo, acreditou que teria enorme dificuldade para trabalhar com determinada pessoa. O medo era tanto que o personagem ganhou um apelido nos bastidores: “Malvado Favorito”.
Ela sofreu antecipadamente. Hoje, o tal “Malvado Favorito” a adora. Recentemente, ao perceber a ironia da situação, reconheceu que sua versão do passado provavelmente daria risada se pudesse enxergar a mulher que ela se tornou.
Talvez devesse mesmo porque essa é a grande questão. Ela passou a vida achando que determinadas coisas seriam grandes demais para ela e passou os mesmos 45 anos provando o contrário.
Hoje mora no Espírito Santo. Aquela irmã caçula vive em São Paulo. Houve um período em que a vida afastou as duas, até que o trabalho tratou de juntá-las novamente. Viraram colegas de profissão, parceiras e amigas. Agora conversam todos os dias, e aquela menina que queria ficar perto da irmã ruiva continua por aqui.
Sou eu.
Talvez por isso me irrite tanto quando você duvida de si mesma. Eu tive o privilégio de assistir a uma parte enorme dessa história. Vi seus medos, suas mudanças, sua responsabilidade, sua generosidade e, principalmente, todas as vezes em que você achou que não conseguiria pouco antes de conseguir.
Aos 45 anos, você não precisa se tornar uma mulher extraordinária. Essa parte já aconteceu.
Feliz aniversário, Karol. E pode ficar tranquila: ninguém aqui vai pedir para você dar aula para as crianças.
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