Para muitas mulheres, a menopausa chega acompanhada de uma mudança difícil de ignorar. O corpo já não responde da mesma forma, o ganho de peso (em média 5kg), especialmente na região abdominal, passa a acontecer com mais facilidade e quase sempre, vem acompanhado de culpa. Mas especialistas alertam que essa transformação está longe de ser uma questão única de falta de disciplina ou esforço individual.
Clarissa Rios, médica, educadora física e CEO da DoctorFit, explica esse fenômeno: “a queda dos níveis hormonais durante o climatério e a menopausa altera o metabolismo, favorecendo o acúmulo de gordura, principalmente na região central do corpo”.
Além disso, há uma redução natural da massa muscular com o envelhecimento para aquelas que não fazem exercícios físicos regulares, o que diminui o gasto energético basal e assim, mesmo com a dieta sem alterações o aumento do peso de gordura acontece. Fatores como alterações no sono, aumento do estresse e resistência à insulina contribuem, também, para esse cenário. Para Clarissa, é essencial mudar a forma como esse processo é encarado.
“A menopausa é uma fase de transição biológica, não um sinal de falha pessoal. O corpo está passando por ajustes hormonais importantes, e isso impacta diretamente no peso, na disposição e até o humor”, explica.
A especialista reforça que insistir em estratégias extremas, como dietas muito restritivas ou treinos exaustivos, tende a gerar mais frustração do que resultados. Em vez disso, o foco deve estar em hábitos sustentáveis e adaptados à nova realidade da fisiologia dessa mulher.
“O que funciona nessa fase não é intensidade, é consistência. Pequenas mudanças feitas com regularidade têm um impacto muito maior a longo prazo”, afirma a médica.
Entre as práticas recomendadas, a combinação de exercícios de força com atividades aeróbicas leves se destaca. O treinamento com sobrecarga muscular ajuda a preservar e até recuperar parte da massa magra perdida, contribuindo para acelerar o metabolismo. Aeróbicos como caminhar e pedalar são opções acessíveis e eficazes.
No campo da alimentação, o equilíbrio também ganha protagonismo. A orientação é priorizar proteínas de qualidade, fibras e alimentos naturais, reduzindo o consumo de ultraprocessados e açúcar. “Não se trata de comer menos, mas de comer melhor. O corpo precisa de nutrientes para funcionar bem, especialmente nesse período”, pontua a especialista.
Mais do que uma questão estética, entender o ganho de peso na menopausa como um processo fisiológico é um passo importante para reduzir a autocobrança. Quando a mulher deixa de se culpar e passa a se cuidar com mais consciência, os resultados aparecem, não só no corpo, mas na qualidade de vida.
O recado é claro: na menopausa, o caminho não é a rigidez, mas o autocuidado e a constância de hábitos mais saudáveis.
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