São Paulo, julho de 2026 – As hepatites virais continuam sendo um importante desafio de saúde pública no Brasil. Embora muitas vezes sejam silenciosas, essas infecções atingem o fígado e podem causar alterações leves, moderadas ou graves. Quando não diagnosticadas e tratadas adequadamente, algumas formas podem evoluir por anos e levar a complicações como cirrose, câncer de fígado e necessidade de transplante.
Dados do Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais 2025, do Ministério da Saúde, mostram que o Brasil registrou 826.292 casos confirmados entre 2000 e 2024. No período, a maior proporção foi de hepatite C, seguida por hepatite B e hepatite A. Apenas em 2024, o país registrou mais de 11 mil casos de hepatite B e mais de 19 mil de hepatite C.
Para a Sociedade Paulista de Infectologia (SPI), o cenário reforça a necessidade de ampliar a informação sobre as diferenças entre os tipos de hepatites virais. As hepatites A e E são mais associadas à transmissão fecal-oral, por água ou alimentos contaminados e condições inadequadas de higiene e saneamento. Já as hepatites B, C e D estão mais relacionadas ao contato com sangue, secreções, relações sexuais desprotegidas, compartilhamento de objetos perfurocortantes e transmissão da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.
“O grande desafio das hepatites virais é que muitas pessoas convivem com a infecção sem saber. A ausência de sintomas não significa ausência de risco. Por isso, testagem, vacinação e acompanhamento adequado são fundamentais para evitar complicações e interromper cadeias de transmissão”, afirma Paulo Roberto Abrão Ferreira, presidente da Sociedade Paulista de Infectologia.
A hepatite B pode ser prevenida por vacina, disponível gratuitamente no SUS, mas ainda não tem cura definitiva; com acompanhamento e tratamento, é possível controlar a infecção e reduzir riscos. A hepatite C, por sua vez, não tem vacina, mas tem tratamento com antivirais de ação direta, também disponível no SUS, com altas taxas de cura quando iniciado corretamente. A hepatite D depende da presença do vírus da hepatite B, razão pela qual a vacinação contra hepatite B também ajuda a prevenir a forma Delta.
“A população precisa saber que existem testes rápidos, vacinas e tratamentos disponíveis no sistema público. O diagnóstico precoce muda o curso da doença, especialmente nos casos de hepatite B e C, que podem se tornar crônicas e evoluir silenciosamente por décadas”, explica o médico.
A SPI também alerta para sintomas que podem aparecer em alguns casos, como cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras. Mesmo assim, a entidade reforça que a testagem não deve depender apenas da presença de sintomas, especialmente em pessoas com fatores de risco ou histórico de exposição.
Entre as medidas de prevenção estão manter a vacinação em dia, usar preservativo, não compartilhar lâminas, alicates, seringas, agulhas, escovas de dente ou outros objetos que possam ter contato com sangue, exigir materiais esterilizados em procedimentos estéticos e de saúde, higienizar bem as mãos e os alimentos e consumir água tratada.
“O enfrentamento das hepatites virais passa por informação clara, redução do estigma e acesso à prevenção. Quanto mais cedo a pessoa descobre a infecção, maiores são as chances de tratamento adequado e menor o risco de transmissão para outras pessoas”, reforça Ferreira.
Sobre a fonte:
A Sociedade Paulista de Infectologia reúne médicos infectologistas e pesquisadores dedicados ao estudo, à pesquisa e ao aprimoramento científico na área das doenças infecciosas. A entidade contribui com análises técnicas e orientação à sociedade sobre temas como gripe, infecções de pele, HIV, hepatites virais, tuberculose, doenças respiratórias e outras condições infecciosas relevantes para a saúde pública.
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